Gigante nordestino avalia mudar estatuto para conseguir SAF
O Fortaleza quer uma SAF - e está disposto a alterar até seu estatuto para isso.
O clube iniciou oficialmente os movimentos para mudar o Estatuto Social e abrir caminho para a venda majoritária da sua Sociedade Anônima do Futebol.
A ideia da diretoria é permitir que mais de 50% das ações da SAF sejam negociadas com investidores, em uma mudança profunda no modelo de gestão do clube.O processo é liderado pelo CEO Pedro Martins e representa uma guinada em relação ao plano original do Tricolor do Pici, que havia criado a SAF com a proposta de manter o controle do futebol nas mãos da associação.Modelo atual não atraiu investidoresQuando aprovou a criação da SAF, o Fortaleza adotou um modelo inspirado no Bayern de Munique.
Pela estrutura atual, a associação mantém 100% das ações da empresa e preserva o controle absoluto do futebol.A intenção inicial era vender apenas uma fatia minoritária, entre 15% e 20%, para parceiros estratégicos, com assessoria da XP Investimentos.
O objetivo era captar recursos sem abrir mão do poder de decisão.O modelo, no entanto, não avançou como esperado.
Depois de quase três anos, o Fortaleza não encontrou investidores dispostos a aportar valores relevantes sem controle acionário e poder de gestão.
A avaliação interna é que grandes grupos só devem avançar em uma negociação caso possam assumir a condução do futebol.
Crise financeira pesa na decisãoA mudança de rota também é consequência da situação financeira do clube, que convive com orçamento pressionado, dívidas acumuladas e perda de receitas após a queda e a permanência na Série B do Campeonato Brasileiro.Balanços anteriores apontaram crescimento do endividamento, e em 2024, o montante com empréstimos bancários e mútuos chegou a R$ 78,1 milhões.Sem as receitas da Série A e sem premiações internacionais como as de Libertadores e Sul-Americana, o fluxo de caixa ficou mais apertado.
Recentemente, o clube precisou atingir metas esportivas na Série B, como chegar aos 47 pontos, para destravar parcelas de um empréstimo de R$ 20 milhões firmado com a Outfield e manter a folha salarial em dia.Consultoria apontou cenário insustentávelEm junho de 2026, o Fortaleza contratou a Exa Capital, consultoria especializada fundada por Pedro Mesquita, que participou da intermediação da venda da SAF do Cruzeiro.O diagnóstico apresentado pela empresa pesou na decisão da diretoria.
As projeções financeiras indicaram que, sem uma venda majoritária, o cenário econômico para 2027 pode se tornar insustentável.Com isso, a diretoria passou a defender a alteração estatutária para permitir a negociação do controle acionário da SAF.Mudança precisa passar por Conselho e sóciosA venda do controle da SAF, porém, não pode ser decidida apenas pela diretoria.
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