Meio século depois, Alemanha aponta suspeito de matar judeus
Meio século depois, Alemanha aponta suspeito de matar judeus - Homem ateou fogo a um asilo em Munique, matando sete sobreviventes do Holocausto. Polícia e promotores demoraram mais de meio século para chegar a um suspeito ? falecido em 2020.Mais de 50 anos depois, a polícia e o Ministério Público de Munique anunciaram nesta quinta-feira (20/08) ter identificado o suspeito de um dos piores ataques antissemitas da história da Alemanha no pós-guerra.
O ataque em questão, um incêndio criminoso contra um asilo judaico em 13 de fevereiro de 1970, deixou sete mortos — todos sobreviventes do Holocausto, dois deles ex-prisioneiros de campos de concentração da Alemanha nazista.
O suspeito, segundo as autoridades, é um alemão com antecedentes criminais, conhecido por suas posições de extrema direita e por seu antissemitismo. Ele, porém, morreu em 2020 — e por isso não poderá ser levado a julgamento.
Agora, com os investigadores convencidos de que o responsável foi identificado, mas sem possibilidade de processar judicialmente uma pessoa já falecida e sem indícios de cúmplices, o caso será arquivado mais uma vez.
"Me dói muito que o suspeito não possa mais ser levado à Justiça", disse Charlotte Knobloch, ex-presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha. Que ele tenha podido "encerrar sua própria vida sem punição significa também que não houve Justiça para as vítimas", comentou.
O incêndio criminoso contra o asilo judaico matou cinco homens e duas mulheres com idade entre 59 e 71 anos. Outras 15 pessoas ficaram feridas, quatro delas gravemente.
Os promotores afirmam que o incêndio foi provocado com uma "mistura de gasolina", espalhada e incendiada em vários pontos de uma escadaria de madeira que dava acesso aos apartamentos, a única no imóvel.
O edifício, localizado no centro de Munique, sofreu danos severos, especialmente nos andares superiores, devido ao efeito de chaminé, que fez as chamas subirem pela escadaria.
As investigações haviam sido encerradas originalmente em 2017, quase 50 anos após o incêndio.
O caso foi reaberto em abril de 2025, depois que uma testemunha procurou as autoridades com novas informações "confiáveis" sobre o suspeito.
"Ela afirmou que o suspeito mantinha contato próximo com um de seus parentes na década de 1970. Pouco depois da morte desse parente, ela revelou o que sabia sobre o caso", informaram a promotoria e a polícia de Munique em comunicado conjunto.
As autoridades revisaram arquivos antigos e também entrevistaram pessoas ligadas ao suspeito durante a nova investigação.
O suspeito, cuja identidade não foi divulgada, tinha 25 anos à época do ataque. Segundo os investigadores, ele frequentava regularmente a área do centro religioso na rua Reichenbach.
Na noite do incêndio, ele teria reclamado que "os judeus têm tudo" enquanto estava à vista da casa de repouso e teria manifestado o desejo de incendiá-la. Menos de 15 minutos depois, o prédio estava em chamas, afirmaram os promotores.
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