As ficções especulativas de Sudan Archives
Há algo de ficção científica em assistir a Sudan Archives ao vivo.
Não exatamente porque a artista norte-americana apareça cercada de máquinas, pedais, sintetizadores, baterias eletrônicas e instrumentos amplificados, mas porque, durante cerca de uma hora e meia, ela parece existir em uma zona intermediária, diluindo as fronteiras entre corpo e tecnologia.
Em seu palco, o violino aparece menos como um instrumento e mais como uma extensão corporal; os gadgets funcionam como próteses; os loops multiplicam sua presença; e o arco do violino, acompanhado por um efeito sonoro que lembra uma espada sendo desembainhada, transforma um gesto técnico em dramaturgia performática.
Vi sua apresentação em Berlim, no Silent Green, na estreia da turnê de The BPM , poucos dias depois de descobrir seu trabalho.
O que eu não esperava encontrar era uma artista capaz de sustentar sozinha uma performance tão complexa e, ao mesmo tempo, tão divertida.
Sudan Archives toca, canta, programa, dispara sons, manipula máquinas e dança como se tudo isso fosse uma única linguagem.
Existe virtuosismo, mas não existe reverência excessiva à própria técnica.
Ela parece brincar com aquilo que sabe fazer — e leva o público ao êxtase enquanto o faz.
Agora, prestes a se apresentar em São Paulo, essa relação entre corpo, tecnologia e música ganha uma dimensão quase literal.
Após tantas apresentações usando collants extremamente justos, Sudan Archives chega ao palco com um conjunto de duas peças e, desta vez, quer estar descalça.
A escolha, à primeira vista, pode parecer pequena, mas diz muito sobre a lógica de seu trabalho: estar sem sapatos em solo tropical é estabelecer uma conexão física com o chão de um país onde a música emerge dos pés e do movimento.
E ela quer levar essa conexão também para o som.
Para seus shows no Brasil, a norte-americana pretende realçar “a batida forte e os graves eletrônicos” e colocar em evidência elementos que reconhece como parte de suas “influências inconscientes”.
Nascida em Cincinnati, Brittney Parks, conhecida como Sudan Archives , começou a construir sua linguagem musical de maneira autodidata, afastando o violino do lugar de erudição que tradicionalmente lhe foi reservado na música ocidental.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em rollingstone.com.br — o conteúdo pertence a Rolling Stone Brasil.