Morre Netinho, cantor que levou o axé para além do Brasil, aos 60 anos
Netinho morreu na manhã desta terça, 13, aos 60 anos, no Hospital Aliança Star, em Salvador.
Nascido em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, Ernesto de Souza Andrade Júnior enfrentava, desde março de 2025, um linfoma não Hodgkin — tipo raro de câncer que afeta o sistema linfático.
Em 2026, após um período de remissão, seu quadro voltou a se agravar, exigindo um novo ciclo de quimioterapia.
Segundo comunicado da equipe do artista, a doença evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
A nota que anunciou a morte informou também que o velório e a cremação serão reservados, conforme o desejo do cantor, e trouxe uma declaração de Netinho : “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei”.
Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Netinho Oficial (@netinhooficialbrasileiro) De origem humilde, Netinho se mudou de Santo Antônio de Jesus para Salvador aos dez anos.
Aos 14, ganhou da mãe seu primeiro violão.
Aos 16, matriculou-se no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador e passou a conciliar os estudos com apresentações em escolas e, mais tarde, nos bares da capital baiana, onde cantava MPB e bossa nova.
A virada na carreira veio em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo no Carnaval de Salvador e fez sucesso com “ Beijo na Boca ” em todo o país.
O sucesso abriu caminho para outras canções do grupo, como “ Estrela Primeira ”, “ Barracos ” e “ A Vida É Festa ”, que fizeram de Netinho um dos nomes mais reconhecidos do axé antes mesmo de sua carreira individual.
Em 1993, o cantor deixou a Banda Beijo para seguir carreira individual.
Três anos depois, gravou em Aracaju o disco Netinho ao Vivo! (1996), que trouxe o maior sucesso de sua trajetória: “ Milla ”, regravação de uma canção da banda Jheremmias Não Bate Córner , grupo que mais tarde daria origem ao Jammil e Uma Noites .
A faixa bateu recordes de execução no Brasil e ganhou versões em mais de oito idiomas, incluindo o russo, tornando-se um símbolo da geração que descobriu o axé nos anos 1990.
Primeiro cantor baiano a lançar um CD ao vivo, Netinho aproveitou a visibilidade conquistada com “ Milla ” para levar o gênero além das fronteiras brasileiras.
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