Aneel nega perícia independente e dá 10 dias para Enel apresentar defesa final
A Diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica ( Aneel ) rejeitou, nesta segunda-feira (24/8), o pedido de perícia independente feito pela Enel São Paulo no processo que pode levar à perda da concessão para distribuição de energia elétrica na Grande São Paulo .
Com isso, a concessionária terá dez dias para apresentar a defesa final antes da deliberação definitiva da Aneel sobre a recomendação de caducidade do contrato.
A Enel defendia que a realização de perícia externa era necessária para conferir maior segurança técnica à decisão administrativa.
A distribuidora argumentou que isso garantiria a imparcialidade do processo, uma vez que a Aneel é a responsável pela fiscalização, instrução e julgamento e, por isso, não deveria decidir o caso com base apenas em manifestações elaboradas por seus próprios quadros técnicos.
A Aneel rejeitou esse argumento e afirmou que a fiscalização, a instrução processual e o julgamento administrativo integram as competências legalmente atribuídas à agência reguladora e que os relatórios, notas técnicas e pareceres elaborados pelo órgão constituem instrumentos legítimos para basear decisões administrativas.
De acordo com a agência, o objetivo é verificar se a Enel possuía estrutura operacional compatível com suas obrigações, diante do apagão de dezembro de 2025 em São Paulo .
Na última semana, a Enel pediu a nulidade do processo alegando que melhorou os indicadores desde 2024, quando houve o primeiro grande apagão na região metropolitana.
A concessionária também sustentou que a Aneel abriu a etapa de alegações finais antes de julgar o recurso relacionado ao pedido de perícia técnica independente e que a agência alterou os critérios de desempenho de forma unilateral ao longo do processo.
Segundo a distribuidora, o critério de restabelecer 80% das unidades consumidoras em até 24 horas após eventos climáticos extremos não estava previsto no Termo de Intimação original, assinado após os eventos climáticos de 2024, e foi aprovado por meio de um despacho, sendo aplicado retroativamente a eventos anteriores.
Milhões em Multas Neste mês, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo ( Arsesp ) rejeitou um recurso da distribuidora e manteve uma multa de R$ 83 milhões à empresa por irregularidades e problemas nos procedimentos de faturamento de contas de luz.
A decisão foi tomada após reunião do conselho diretor no dia 12 de agosto e publicada no Diário Oficial do estado.
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