A crise ambiental vai muito além do clima
Quando pensamos nos grandes problemas ambientais contemporâneos, uma expressão tende a ocupar quase todo o espaço: mudança climática.
Aquecimento global, emissões de gases de efeito estufa, descarbonização, transição energética e neutralidade de carbono passaram a fazer parte do vocabulário de governos, empresas, universidades e da própria sociedade.
Essa centralidade é compreensível e necessária.
A mudança climática constitui um dos maiores desafios ambientais do nosso tempo.
O problema começa quando passamos, ainda que involuntariamente, a tratar crise ambiental e crise climática como se fossem a mesma coisa .
Não são.
Podemos reduzir emissões de carbono e, ao mesmo tempo, continuar perdendo biodiversidade.
Podemos substituir uma fonte de energia e ampliar a pressão sobre a mineração e a água.
Podemos produzir uma embalagem com menor pegada de carbono que contenha substâncias persistentes no ambiente.
Podemos instalar uma atividade considerada eficiente justamente em uma região submetida a grave estresse hídrico.
Em outras palavras, uma solução para determinado problema ambiental pode manter, ou até aumentar, pressões sobre outros.
Essa constatação nos obriga a recuperar uma ideia que deveria ser elementar na discussão ambiental: a natureza funciona como um sistema.
Atmosfera, oceanos, florestas, solos, rios, organismos e ciclos de nutrientes não existem de maneira independente.
Eles trocam matéria e energia e se influenciam continuamente.
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