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Não fossem guerra e El Niño, IPCA subiria cerca de 4% em 2026

Folha de S.Paulo ·
Não fossem guerra e El Niño, IPCA subiria cerca de 4% em 2026

Doutorando em economia da FGV EESP, mestre em economia na FEA-USP, é diretor da LCA Consultores e pesquisador-associado do FGV Ibre

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De acordo com o boletim Focus mais recente , a mediana das expectativas do "mercado" indica uma alta de cerca de 5% da inflação varejista brasileira em 2026, desacelerando para 4,2% em 2027.

Em janeiro, os analistas esperavam altas do IPCA de 4,3% neste ano e de 4,1% no ano que vem. Vale lembrar que a meta de inflação é de 3%, com um intervalo de tolerância de mais ou menos 1,5 ponto percentual.

O que está por trás dessas revisões para cima? A edição mais recente do Questionário Pré-Copom —um levantamento mais detalhado do que o boletim Focus, enviado pelo BCB aos analistas nas semanas que antecedem as reuniões de política monetária— joga uma luz sobre isso.

Segundo as estimativas de consenso, o conflito no Oriente Médio iniciado no fim de fevereiro —e que ainda não foi superado completamente— agregou cerca de 0,7 ponto percentual ao IPCA deste ano.

Caso esse conflito persista e impeça que a cotação do petróleo do tipo Brent recue para cerca de US$ 80 até dezembro, os analistas apontam que esse impacto inflacionário pode chegar a 0,9 ponto percentual.

Já para 2027, embora não sejam apontadas estimativas pontuais de impacto sobre a inflação, 53% dos analistas indicam que a guerra também causará elevação no ano que vem —refletindo os diversos mecanismos de indexação, formais e informais, de preços e salários, presentes na economia brasileira.

O questionário também indagou os analistas sobre o impacto do El Niño sobre a inflação. Segundo a mediana das expectativas, esse fenômeno climático —que deverá alcançar a maior intensidade já registrada em cerca de 150 anos— poderá impactar o IPCA em 0,3 ponto percentual em 2026 e em 0,4 p.p. em 2027.

Não obstante, até o momento, os analistas incorporaram apenas parte desses efeitos às suas projeções: 0,2 p.p. neste e no próximo ano.

Embora diversos analistas considerem que "inflação é inflação" , a literatura teórica e a prática indicam que a política monetária deve reagir de forma distinta a elevações da inflação, a depender de sua origem.

Tipicamente, no caso de choques de oferta desfavoráveis —como é o caso dos dois fatores descritos acima—, a autoridade monetária idealmente deveria acomodar a alta da inflação cheia nos intervalos de metas e reagir apenas caso esse choque primário gere deterioração da inflação esperada em horizontes mais longos, particularmente da inflação dos núcleos (até quando o BCB continuará não apresentando projeções de núcleos do IPCA?).

Outra opção, que não exclui a possibilidade descrita acima, é alongar o horizonte relevante para a convergência à meta —algo que pode ser adotado caso o choque primário seja muito expressivo e ou haja uma sucessão de choques desfavoráveis—, uma vez que boa parte dos bancos centrais que operam no regime de metas de inflação não são "inflation nutters".

Ou seja: os BCs também se importam com a atividade econômica, preferindo ajustes mais suaves a recessões profundas para reancorar a inflação nas metas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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