Rotinas rígidas demais atrapalham longevidade e qualidade de vida
A partir dos anos 2000, o mundo passou por uma virada demográfica marcada pela queda nas taxas de natalidade e pelo aumento da expectativa de vida, acelerando o envelhecimento da população global.
Com isso, a longevidade — antes medida por anos duramente conquistados — passou a ser o novo normal.
Com mais pessoas ativas por períodos mais longos, a idade deixa de ser, aos poucos, um critério de exclusão automática, abrindo espaço para uma revisão do etarismo ainda presente nas relações profissionais.
Leia mais Doação de sangue animal: como funciona e quais pets podem doar Orgasmo feminino: por que o tema virou alvo de debates nas redes O que acontece com seu corpo quando você passa uma semana sem redes sociais Nesse cenário, vai se formando uma economia “prateada”, que reconhece o potencial produtivo e de consumo da população mais velha .
Não se trata mais de tomar o remédio na hora certa, mas sim desenvolver uma nova filosofia de vida que engloba prevenção, equilíbrio e escolhas conscientes no dia a dia.
Na América Latina, um dos nomes que anteciparam esse novo olhar é o consultor de bem-estar argentino Willie Carballo.
Em entrevista recente à plataforma de saúde LN Bienestar, o representante da histórica Clinique La Prairie de Montreux, na Suíça, afirma que, atualmente, viver muitos anos sem qualidade de vida e sem felicidade não faz sentido — o objetivo deveria ser alcançar o máximo de tempo possível com bem-estar genuíno .
Lembrando que, segundo os cientistas, a genética responde por apenas 25% a 30% da nossa longevidade, Carballo diz que “todo o restante é epigenética, ou seja, a forma como os hábitos e o ambiente influenciam o funcionamento dos nossos genes”.
Por que o rigor extremo não cabe nessa nova lógica de longevidade? Mais tempo de vida também significa mais convivência, autonomia e participação • Freepik Mas, se é o estilo de vida que realmente faz diferença ao longo do tempo, alerta Carballo, o excesso de controle pode virar fonte de estresse — e isso também impacta negativamente o organismo.
“Comer demais faz mal, exagerar nos exercícios também, e até o excesso de preocupação com a própria saúde pode ser prejudicial”, conclui o consultor.
Carballo não contesta a importância dos hábitos, mas critica sua radicalização, com dietas extremas, rotina inflexível e culpa constante.
O perfeccionismo biológico e a ideia de que longevidade depende de otimização total o tempo inteiro podem se tornar fator de desgaste.
A mesma lógica se aplica às famosas metas pessoais.
Objetivos grandiosos demais seriam mais difíceis de sustentar a longo prazo, enquanto pequenas metas aumentariam as chances de sucesso contínuo em qualquer hábito relacionado à longevidade , sugere o especialista no assunto.
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