A economia começou a perder fôlego e a eleição vai sentir
O último domingo não escolheu o próximo presidente, mas mudou de forma importante o preço do Brasil.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, diante de 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva.
Os dois voltam às urnas em 25 de outubro.
A diferença, de menos de dois pontos percentuais, não encerra a disputa; o que ela fez foi alterar o ponto de partida do segundo turno e obrigar investidores a revisar, de maneira rápida, as hipóteses que vinham embutidas nos preços.
A surpresa foi especialmente relevante porque boa parte das pesquisas divulgadas na reta final apontava uma ordem de chegada diferente.
Quando a urna entrega uma informação que não estava no cenário-base, a reação do mercado tende a ser desproporcional à diferença numérica entre os candidatos.
Não porque o mercado “vote”, mas porque ele atualiza probabilidades sobre política econômica, governabilidade e trajetória fiscal.
Foi exatamente isso que começou a acontecer nesta semana, em especial na segunda-feira, com uma reprecificação ampla de ações, câmbio e juros brasileiros.
Os primeiros levantamentos divulgados reforçaram a leitura de que o segundo turno começou em uma configuração diferente daquela sugerida por parte das pesquisas anteriores à votação.
Em votos válidos, o PoderData/Aya apontou Flávio Bolsonaro com 53%, contra 47% de Lula; o Datafolha registrou 52% a 48%; e a AtlasIntel/Bloomberg, 52,8% a 47,2%.
Os três institutos mostram, portanto, o senador numericamente à frente nesse recorte.
Para o mercado, a convergência é relevante porque ajuda a explicar por que os preços passaram a incorporar, com maior intensidade, cenários de mudança na orientação econômica a partir de 2027.
A inflexão não ficou restrita ao Planalto A mudança mais importante do primeiro turno talvez tenha sido menos a diferença entre Flávio e Lula e mais a fotografia produzida pelo Congresso.
O PL elegeu 121 deputados federais e deverá ter 28 senadores a partir de 2027, depois de eleger 19 das 54 cadeiras em disputa no Senado.
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