Crise Brasil-EUA expõe divergências entre política e economia no governo
A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos expôs divergências dentro do governo Lula sobre qual seria a resposta adequada à gestão de Donald Trump.
De um lado, o Palácio do Planalto e o alto escalão da diplomacia, representado por Celso Amorim e Mauro Vieira, defendem que Lula suba o tom com o governo Trump, apostando no discurso de defesa da soberania nacional, que pode render dividendos para a campanha petista.
De outro, a ala econômica, formada por integrantes do MDIC e da Fazenda, além de diplomatas de perfil mais tradicional, defendem uma postura mais contida para evitar uma escalada que afete interesses econômicos e de Estado.
As eleições presidenciais são o fator desencadeador dessa divisão.
A ala mais política avalia que a crise entre Brasil e Estados Unidos pode favorecer Lula ao reforçar junto à base de esquerda o discurso de que o imperialismo americano prejudica os brasileiros.
Já integrantes da área econômica e diplomatas mais tradicionalistas temem que a escalada deteriore as relações econômicas e tenha efeitos prejudiciais duradouros sobre a relação comercial entre os dois países.
Leia mais Lula diz que Brasil acionou reciprocidade contra EUA para mostrar força Análise: Reciprocidade nas tarifas não será uma retaliação aos EUA Análise: Ala do governo resistia a processo de reciprocidade contra os EUA O acionamento da Lei da Reciprocidade é o episódio mais recente a expor as divergências.
Os defensores de uma postura mais enérgica contra os Estados Unidos apoiam a medida por considerá-la uma resposta do governo Lula a Trump.
Ainda que o procedimento seja extenso e não signifique necessariamente que haverá retaliação , a avaliação desse grupo é que o gesto tem um importante peso político ao mostrar que o governo está reagindo em defesa da soberania nacional.
Além dos dividendos eleitorais colhidos pelo discurso de defesa da soberania, a ala mais próxima ao Planalto avalia que a reação mais dura às medidas de Trump reforçam o posicionamento sustentado pelo presidente Lula desde o seu primeiro mandato, de que a política externa deve ser ativa e altiva e que o país não deve se submeter a imposições de potências estrangeiras, como os Estados Unidos.
Já integrantes da Fazenda e do MDIC, assim como diplomatas mais tradicionalistas, avaliam que a decisão pode aprofundar a crise entre Brasil e Estados Unidos.
Também temem que uma eventual imposição de tarifas retaliatórias pelo Brasil seja um “tiro no pé”.
“Em uma canetada, Trump pode dobrar as tarifas”, afirmou um diplomata à CNN .
Neste sábado (15), as novas tarifas de 25% impostas por Trump completam um mês.
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