Jafar Panahi, vencedor da Palma de Ouro, é condenado a 5 anos de prisão pelo governo iraniano
O cineasta iraniano Jafar Panahi , vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes e indicado ao Oscar por Foi Apenas um Acidente , foi condenado a cinco anos e um mês de prisão pelas autoridades do Irã.
Segundo informações divulgadas pela imprensa local nesta segunda-feira, 27, a decisão também determina o confisco de seus bens e impõe proibições de viajar e utilizar redes sociais por dois anos.
A informação foi confirmada pelo advogado do diretor, Mostafa Nili , à agência de notícias Emtedad.
De acordo com ele, a sentença foi emitida pela 26ª Vara do Tribunal Revolucionário de Teerã.
Panahi teria descoberto que respondia a novos processos depois que suas contas bancárias foram bloqueadas inesperadamente.
O advogado afirmou ainda que ele e o cineasta procuraram o setor responsável pela execução de sentenças do Ministério Público de Cultura e Mídia, onde souberam que Panahi havia sido condenado à revelia em um dos casos.
O diretor tem três processos em andamento no país, mas, segundo Nili , não havia sido oficialmente convocado para comparecer às audiências, apesar de estar no Irã.
A nova condenação se soma a uma sentença de um ano de prisão e a uma proibição de viagens por dois anos, impostas em 2025 sob a acusação de realizar atividades de propaganda contra o regime.
Panahi voltou ao Irã após a cerimônia do Oscar de 2026, realizada em 15 de março, e permanece no país desde então.
Histórico de perseguição A relação de Panahi com as autoridades iranianas é marcada por anos de perseguição.
Em 2010, o cineasta foi condenado a seis anos de prisão e proibido de filmar e viajar por 20 anos.
As medidas estavam relacionadas à sua participação no funeral de um estudante morto durante os protestos da Revolução Verde, em 2009, e à tentativa de realizar um longa-metragem ambientado naquele contexto.
Em julho de 2022, o diretor foi preso novamente e passou sete meses na penitenciária de Evin, uma das mais conhecidas do país.
Na ocasião, ele havia ido ao local para buscar informações sobre os cineastas Mohammad Rasoulof e Mostafa Al-Ahmad , detidos dias antes após criticarem as autoridades em uma carta aberta.
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