Membro de esquema que deu golpe em aposentada é preso em aeroporto do RJ
Um dos principais suspeitos de integrar o esquema de falsos investimentos que fez uma mulher de 70 anos perder R$ 37 milhões foi preso hoje no Rio de Janeiro.
O homem, que não teve a identidade divulgada, é dono de uma instituição financeira e atuava na ocultação do dinheiro da quadrilha. Ele e outras nove pessoas são alvos de mandados de prisão preventiva. A Polícia Civil do Rio Grande do Sul cumpre as ordens judiciais desde ontem, quando uma operação foi deflagrada.
Criminoso foi encontrado nesta manhã no Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio. O delegado Eibert Moreira relatou ao UOL que identificou que ele tinha um voo saindo da capital fluminense em direção a navegantes (SC). A PF (Polícia Federal), então, foi acionada para prendê-lo antes da decolagem.
Ainda há sete suspeitos para serem presos. O investigador explicou que as ações policiais continuam no dia de hoje. Na quinta, a operação realizou todos os mandados de busca e apreensão e prendeu dois dos investigados.
A investigação começou depois que uma idosa de 70 anos relatou à polícia um prejuízo de mais de R$ 37 milhões. "Ela recebeu esses valores de uma herança e gostava de fazer esses investimentos. Ela tinha um perfil muito agressivo nos investimentos, tanto que o corretor dela incentivava a fazer uns menos agressivos, mas ela gostava de apostar alto", contou o delegado.
A mulher, então, retirou seu dinheiro da corretora lícita que havia contratado e o direcionou para a organização criminosa sem saber se tratar de uma fraude. Investigadores disseram que ela foi submetida a um processo gradual de convencimento, onde os pagamentos foram feitos em partes sob a expectativa de retornos financeiros.
Inicialmente, a aposentada foi colocada em grupos de mensagens que simulavam comunidades legítimas de estudo e investimentos no mercado financeiro. Neles, havia supostos especialistas, assistentes e outros participantes, que interagiam para criar aparência de profissionalismo e segurança. Os suspeitos apresentavam análises de mercado, orientações financeiras e resultados aparentemente positivos.
Quando a vítima tentava retirar o dinheiro, no entanto, os saques eram bloqueados. A partir daí, passavam a surgir novas exigências financeiras, como supostas taxas, impostos ou valores necessários para liberação do patrimônio, de acordo com a polícia.
Apuração identificou ao menos 140 potenciais vítimas nos ambientes digitais. Após a deflagração da operação, agentes farão análise do material apreendido, identificação de novos lesados e outros possíveis envolvidos, além da localização de bens e valores passíveis de recuperação.
Quadrilha usava laranjas e tinha cadeia de movimentação do montante, diz a polícia. Criminosos faziam a captação de pessoas para figurarem como titulares de empresas e contas bancárias. Depois disso, após entrarem nas primeiras contas, os valores eram distribuídos para outros CNPJs e intermediadores financeiros.
Em algumas situações, as cifras eram convertidas em criptoativos. O rastreamento financeiro demonstrou que, em um dos caminhos analisados, foram convertidas aproximadamente 675 mil unidades de USDT em apenas três dias.
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