Estudantes do Paraná criam repelente natural contra escorpiões
Três estudantes do 9º ano da Sala de Recursos de Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) do Colégio Estadual Cívico-Militar do Patrimônio Regina, em Londrina, desenvolvem um repelente natural, ecológico e barato contra escorpiões.
A pesquisa, iniciada em março deste ano, usa a arruda (Ruta graveolens) como princípio ativo vegetal para afastar os animais peçonhentos sem compostos químicos agressivos. O trabalho responde à preocupação com o número de acidentes provocados por escorpiões no Paraná.
A proposta surgiu do interesse coletivo da equipe de jovens cientistas pelas áreas de ciências, matemática e tecnologia. O método de preparação foi desenhado para ser prático e reprodutível: folhas e ramos de arruda permanecem imersos em álcool 95% por dois a três dias para a extração dos bioativos. Na sequência, a solução é filtrada e armazenada em frascos borrifadores simples.
“A arruda é uma planta medicinal extremamente acessível. Nossas pesquisas mostraram que qualquer pessoa pode encontrá-la no próprio quintal ou em feiras, o que torna a produção barata e viável para quem mais precisa”, destaca o estudante Rodrigo Lorenzo Gomes da Silva, de 15 anos, integrante da equipe.
Em fase inicial de execução, o projeto estabeleceu uma parceria científica com a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Por questões de biossegurança dentro do ambiente escolar, o grupo ainda não realizou testes diretamente com escorpiões vivos.
Para validar o potencial de repelência de forma segura enquanto aguarda a liberação dos animais pela universidade, os alunos aplicaram o rigor científico e adaptaram a amostragem: recorreram a formigas, que pertencem ao mesmo filo biológico dos escorpiões (Arthropoda).
“Quando soubemos da impossibilidade temporária de receber os escorpiões, buscamos uma espécie correlata e de fácil acesso. Como ambos são artrópodes, as formigas foram selecionadas para a triagem primária”, explica o estudante Jean Lucas Silva de Camargo, de 15 anos.
Nos ensaios laboratoriais realizados até o momento, a resposta foi imediata. As formigas evitaram categoricamente a área tratada com a fórmula em ambas as rodadas de testes. “Foi muito gratificante ver o resultado prático. Na hora em que aplicamos a solução e vimos as formigas se afastando, tivemos a certeza de que a rota escolhida tem potencial”, complementa Rodrigo .
O projeto surge em um contexto de atenção à presença de escorpiões no Paraná. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o Paraná registrou 8.472 acidentes com escorpiões em 2025. Desse total, 1.144 ocorrências foram nos municípios de abrangência da 17ª Regional de Saúde de Londrina.
Até setembro de 2026, o Estado contabilizou 5.265 acidentes com escorpiões, sendo 678 registros na 17ª RS de Londrina.
O aracnídeo habita em meio ao lixo e entulhos acumulados, roupas e sapatos, e são mais ativos em períodos e locais mais quentes.
A meta do projeto não é a comercialização, mas a transferência de conhecimento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.