Ministros do STF temiam que Nunes Marques libertasse Bolsonaro antes do segundo turno
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) temiam que Kassio Nunes Marques concedesse uma liminar para colocar Jair Bolsonaro em liberdade antes do segundo turno das eleições presidenciais , diante do favoritismo atribuído a Flávio Bolsonaro (PL) pelas pesquisas de intenção de voto.
O receio era que uma decisão do magistrado, indicado ao Supremo pelo ex-presidente em 2020, alterasse o cenário político durante a disputa eleitoral.
A revelação, feita pela colunista de O Globo, Malu Gaspar , foi feita quase escondida no final de um artigo sobre a nova composição do STF e as possibilidades de a Corte soltar o ex-presidente.
Agora, segundo a colunista, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos , aliados de Bolsonaro tentam mapear os votos no STF para reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão imposta pela participação na trama golpista.
A defesa apresentou um pedido de revisão criminal, cujo relator é Nunes Marques, e busca reunir pelo menos cinco votos favoráveis para provocar um empate na atual composição da Corte, que conta com dez ministros.
As contas do PL Nas contas de integrantes do Partido Liberal (PL), três magistrados são considerados mais propensos a acolher o pedido: Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux.
Os três são vistos como integrantes da ala bolsonarista do Supremo e não estão alinhados ao ministro Alexandre de Moraes, relator das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.
Moraes e Flávio Dino, por sua vez, são considerados votos contrários à iniciativa pelos aliados do ex-presidente.
Ambos participaram do julgamento que condenou Bolsonaro, em setembro do ano passado, por cinco crimes, entre eles golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025, o STF está com uma cadeira vaga.
Nesse cenário, Bolsonaro precisaria de cinco votos para provocar um empate, situação que, como regra nos processos criminais, favorece o réu.
Se a análise ficar para o próximo ano e a vaga for preenchida, a conta poderá mudar.
Com 11 ministros, a defesa precisaria de pelo menos seis votos para alcançar o mesmo resultado.
Nos bastidores, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articula a indicação de Rodrigo Pacheco, atualmente ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), para o posto.
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