As 4 razões pelas quais Mendonça não deveria mais estar no STF
Há uma diferença elementar, e deliberadamente apagada no debate público, entre atacar o Supremo Tribunal Federal porque ele recusou o projeto de um país sob chantagem das milícias, quartéis e desinformação e cobrar de um ministro da Corte o mínimo que o cargo exige: decoro, aparência de imparcialidade, lealdade à Constituição e aceitação das regras do Estado laico.
No primeiro caso, o alvo é a instituição que impediu o desmanche da República.
No segundo, o alvo é uma conduta específica.
André Mendonça não deveria mais ocupar uma cadeira no STF por razões que cabem em qualquer livreto de preceitos mais básicos da ética pública, não no dicionário da seita que quer transformar o Judiciário em sucursal de palanque.
O rótulo com o qual chegou ao tribunal nunca foi um detalhe folclórico.
Foi o critério político da indicação.
Jair Bolsonaro vendeu ao mercado evangélico a promessa de um ministro “terrivelmente evangélico”.
Mendonça tentou, na sabatina e depois, suavizar a fórmula para “genuinamente evangélico”.
A troca de advérbio não altera o problema.
Um magistrado da mais alta Corte não é pastor com toga.
É servidor vitalício de um Estado que se declara laico e de uma Constituição que não pede credencial de templo para ser aplicada.
O que se vê, quatro anos e meio depois da posse, é o inverso: um ocupante do cargo que trata a função como fardo quando a Corte faz o trabalho de defender a democracia, que transforma o salário do teto republicano em lamento de classe média ofendida, que converte prestígio institucional em carteira de contratos públicos e que não consegue, ou não quer, separar dogma de jurisdição.
1 – A tristeza no “ momento errado ” Há poucos dias, diante de magistrados evangélicos reunidos em seminário na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Mendonça descreveu os dois primeiros anos no Supremo como “períodos de muita infelicidade”.
Disse que, se aquele fosse um ideal de vida, teria de abandonar o posto no dia seguinte.
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