Do PDT ao Missão: como barrados pela cláusula de desempenho se movem para sobreviver
Entre as diversas distorções do intrincado sistema político brasileiro está a enorme quantidade de partidos.
No espectro que vai da extrema-esquerda à extrema-direita convivem nada menos que 30 legendas, tornando impossível a tarefa de apontar onde cada uma delas se localiza do ponto de vista ideológico.
Na prática, em vez da defesa de ideias, salutar em qualquer democracia, o que se observa é o império do fisiologismo e do clientelismo.
Caciques controlam ricas estruturas, bancadas pelos fundos partidário e eleitoral – dinheiro público, nunca é demais frisar – e transformam os acordos em torno da governabilidade em um rasteiro jogo de negociatas, em que a obtenção de ricas e poderosas máquinas administrativas, por meio de indicações de cargos de confiança, fala mais alto que o debate em torno dos rumos do país.
A cláusula de barreira, lei vigente desde as eleições de 2018, foi criada para tentar corrigir tamanho descalabro.
Mas sua aplicação, ironicamente, pode levar à extinção de algumas das agremiações que surgiram justamente com o propósito de arejar o cenário atual.
Pela regra, partidos que não atingirem 1,5% dos votos para deputado federal, em ao menos nove estados, perdem acesso ao financiamento e tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV.
O recém-criado Missão, de inclinação liberal, o tradicional PDT e os nanicos Avante e PRD não atingiram a meta e agora se movimentam para tentar encontrar uma saída para o problema.
A federação PSOL e Rede também foi barrada na peneira, mas o Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) arredondou a votação do bloco no Espírito Santo, onde faltaram 185 votos para o percentual mínimo exigido pela legislação, livrando o bloco das sanções.
Uma ala da federação considera que a concentração da campanha em torno de puxadores de votos no eixo Rio-São Paulo não trouxe os resultados esperados.
Erika Hilton (PSOL-SP), por exemplo, obteve mais de 1,5 milhão de votos, foi a deputada mais votada no estado, mas não carregou cinco candidatos para dentro do parlamento por conta de uma outra barreira criada para coibir o “efeito Tiririca”: eles não atingiram o quociente eleitoral.
“A concentração das votações em patamares tão altos é um fenômeno novo, potencializado pelo capital político construído nas redes.
Precisamos aprender a lidar com ele”, avalia o deputado estadual Flávio Serafini (PSOL-RJ).
O partido conseguiu eleger pela primeira vez um nome no Nordeste, o deputado Jones Manoel (PSOL-PE), mas tem consciência de que é preciso fortalecer a presença em mais estados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.