Brasil fica fora de corredor estratégico entre EUA e Argentina e pode ser impactado por avanço do país vizinho
O Brasil ficou fora de uma nova iniciativa estratégica dos Estados Unidos na América do Sul que promete movimentar bilhões de dólares em infraestrutura, energia, mineração e tecnologia.
Estados Unidos e Argentina anunciaram o Corredor Andes-Atlântico, projeto criado para conectar as principais regiões produtoras de minerais e energia da Argentina aos portos do Atlântico e aos mercados internacionais.
O Brasil não integra o corredor.
Mas isso não significa que ficará indiferente aos seus efeitos.
A iniciativa coloca a Argentina em posição de receber novos investimentos e financiamento americano justamente em setores nos quais o Brasil também tenta ampliar sua presença internacional: minerais críticos, petróleo, gás, infraestrutura, tecnologia e logística.
Ao mesmo tempo, dois dos principais eixos argentinos contemplados pelo projeto têm ligação direta com a economia brasileira: o gás de Vaca Muerta e a Hidrovia Paraguai–Paraná.
Na prática, portanto, o Brasil pode sentir os efeitos do acordo de duas maneiras: como concorrente da Argentina por investimentos internacionais e como possível beneficiário da expansão da infraestrutura energética e logística do país vizinho.
Argentina é escolhida para primeiro corredor da região O peso do anúncio aumenta porque este não é apenas mais um acordo de investimentos.
Segundo o governo americano, o Andes-Atlantic Corridor será o primeiro corredor da Partnership for Global Infrastructure and Investment, a PGII, no Hemisfério Ocidental.
A estratégia prevê modernizar ferrovias, gasodutos, portos, redes elétricas e infraestrutura digital, ligando duas regiões consideradas fundamentais para o futuro econômico argentino.
De um lado está o noroeste do país, onde estão algumas das principais reservas de lítio e cobre.
Do outro, Vaca Muerta, gigantesca formação de petróleo e gás não convencional que transformou a Argentina em um dos atores mais importantes da nova configuração energética da América do Sul.
O governo americano afirma que o corredor poderá destravar bilhões de dólares em investimentos e criar novas oportunidades para empresas dos Estados Unidos.
E há dinheiro público americano potencialmente envolvido.
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