1 ano da chacina com 122 mortos no Rio, relatório aponta indícios de execuções
Um ano depois da operação policial mais letal da história do Brasil, as circunstâncias de 122 mortes nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, continuam sem esclarecimento definitivo.
Nesta quarta-feira (28/10), data que marca o primeiro aniversário da Operação Contenção, uma investigação independente da organização Human Rights Watch (HRW) apresenta novas evidências de uso excessivo da força, possíveis execuções e manipulação de câmeras corporais por agentes de segurança.
Até o momento, nenhum policial foi denunciado pelas mortes ocorridas durante a ação.
Intitulado “Uma estratégia de morte”, o relatório reúne milhares de documentos e registros audiovisuais para reconstruir a ofensiva realizada em 28 de outubro de 2025.
Uma das principais conclusões é que nenhuma das mortes foi registrada pelas câmeras utilizadas pelos policiais, embora a organização tenha examinado aproximadamente 4.400 horas de gravações.
A análise identificou situações em que os equipamentos foram retirados, tiveram as lentes encobertas ou deixaram de funcionar justamente nos períodos de maior intensidade dos confrontos.
A operação, conduzida durante o governo de Cláudio Castro (PL), mobilizou cerca de 2,5 mil policiais civis e militares contra integrantes do Comando Vermelho.
O balanço de 122 mortos considera 117 pessoas que não integravam as forças policiais e cinco agentes de segurança, sendo três policiais civis e dois militares.
Quatro agentes morreram no dia da ofensiva, enquanto o quinto não resistiu aos ferimentos nas semanas seguintes.
O relatório também menciona outros dois homens mortos antes do início oficial da operação.
Leia também: Guerra no Rio: Megaoperação se torna a mais letal da história da cidade A repercussão internacional da chacina ganhou força em 29 de outubro, quando moradores retiraram dezenas de corpos de uma região de mata e os levaram à Praça São Lucas, no Complexo da Penha.
Na ocasião, familiares relataram ferimentos que levantavam suspeitas de tortura e execução, enquanto denunciavam dificuldades para localizar e reconhecer as vítimas.
Passados 12 meses, a investigação conduzida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) ainda não esclareceu individualmente as circunstâncias dos óbitos.
O órgão já colheu depoimentos de 255 policiais, 61 pessoas presas durante a operação e 45 familiares dos mortos.
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