Escrivão da PF é suspeito de vazar operação contra esquema bilionário de lavagem
A Polícia Federal suspeita que um de seus agentes tenha vazado informações sigilosas sobre a sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada em 7 de julho, a integrantes de um esquema que movimentou 7,6 bilhões de reais por meio de uma rede de postos de combustíveis irregulares no Rio de Janeiro.
O principal suspeito é o escrivão Fábio Henrique Ferreira dos Santos, lotado na Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários, que foi afastado das funções.
Os investigadores descobriram que Fábio manteve contato com Pablo Jukiá Félix Ferreira, conhecido como “Pablo Russo”, um dos principais alvos da operação, na véspera das buscas.
Eles combinaram um encontro presencial e o agente teria configurado o celular para que as conversas fossem apagadas automaticamente depois de 24 horas.
Além das mensagens, há registros de cinco chamadas de voz no WhatsApp.
VEJA busca contato com a defesa do agente.
As suspeitas ganharam força diante de indícios de que os alvos da operação se anteciparam às buscas.
Os policiais encontraram aproximadamente 896.000 reais em espécie na sede da ADM Oil Prestadora de Serviços, uma das empresas investigadas, em Niterói, na região metropolitana do Rio.
No endereço, a equipe da PF também se deparou com sacos plásticos vazios, idênticos aos usados para acondicionar o dinheiro apreendido, o que fez os investigadores suspeitarem de que parte da quantia original foi retirada da empresa pouco antes da batida.
Leia também: Canella prometeu trégua ao CV em troca de retirada de barricadas, aponta PF Após a operação, a Polícia Federal foi alertada, pelo Disque Denúncia, sobre movimentações no condomínio de Pablo Jukiá antes das buscas.
Segundo o relato, ele retirou do endereço documentos e provas que pudessem incriminá-lo.
“Cumpre destacar que, no caso em apreço, a destruição e a ocultação de provas promovidas por Fábio Henrique e Pablo Jukiá acarretaram graves prejuízos à investigação, uma vez que no local seriam encontrados elementos probatórios aptos a corroborar as hipóteses criminais já expostas”, afirmou a PF na representação encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir o afastamento do escrivão e final verde para abrir uma nova etapa da Unha e Carne.
O ministro atendeu aos pedidos.
Continua após a publicidade A oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira, 15, prendeu o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), que conquistou a segunda maior votação para a Assembleia Legislativa do Rio nesta eleição, o ex-secretário de Polícia Civil do Rio, Marcus Amim, e outras quatro pessoas.
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