Governo terá que cortar despesas para fechar as contas em 2027, diz IFI
Em seu mais recente relatório de acompanhamento fiscal, a Instituição Fiscal Independente (IFI) analisa o projeto do Orçamento 2027 e avalia que o governo federal terá dificuldades para cumprir a meta de resultado primário de 2027.
Com isso, a instituição prevê um significativo corte de despesas no ano que vem.
A meta de superávit primário de R$ 18,6 bilhões — que consta no projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2027 — não deve ser cumprida, segundo os cálculos da IFI.
Eles apontam na direção contrária: um déficit de R$ 86,1 bilhões.
Por isso, o relatório prevê que o governo federal terá de congelar pelo menos R$ 35,7 bilhões em gastos ao longo do próximo ano para tentar cumprir formalmente a meta.
Juros e dívidas O relatório da IFI mostra que os juros continuam elevados, e uma das razões seria o crescimento da dívida pública.
Na avaliação da IFI, o Brasil está em um ciclo difícil, pois o maior endividamento empurra os juros para cima, o que faz a dívida crescer ainda mais.
Assim, o governo tem restrições orçamentárias, e não pode cortar despesas obrigatórias.
Os juros altos também influenciam no custo das dívidas da população, como o financiamento imobiliário, o cartão de crédito e o crédito consignado.
A dívida do setor público equivale atualmente a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo a IFI, a porcentagem pode chegar a 86,4% até o final de 2027.
Quando falta dinheiro, o governo acaba sendo obrigado a cortar despesas com obras, investimentos e serviços públicos.
Houve contingenciamento de gastos em 2026, lembra a IFI, e o mesmo deve ocorrer em 2027.
A instituição avalia que a previsão do governo federal de crescimento do PIB em 2,5% no ano que vem também não deve acontecer.
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