O que acontece se ninguém obtiver maioria nas eleições legislativas em Israel?
Os blocos legislativos em Israel estão equilibrados, segundo as estimativas, com 49 cadeiras para o bloco próximo ao centrista Gadi Eisenkot e 54 para a direita e a extrema direita reunidas em torno do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, após a apuração de 77% dos votos.
Ambos estão longe das 61 cadeiras necessárias para ter maioria absoluta no Knesset, de 120 deputados, mas Eisenkot parece melhor posicionado para atrair novos aliados. A seguir, os quatro principais cenários possíveis:
Após a proclamação oficial dos resultados, nos próximos dias, o presidente israelense, Isaac Herzog, pedirá a um dos candidatos que forme governo, aquele que considerar melhor posicionado para reunir pelo menos 61 deputados.
Os partidos árabes israelenses, em particular o Raam, têm se mostrado abertos a trabalhar com o bloco de Eisenkot, que manteve distância deles por considerar que poderiam prejudicá-lo durante a campanha.
Para o bloco de Netanyahu, não há um espaço claro para obter mais cadeiras, depois que alguns pequenos partidos de direita não alcançaram a votação mínima para entrar no Parlamento.
Netanyahu demorou 58 dias para formar seu atual governo após as eleições de novembro de 2022.
Se nenhum bloco alcançar os 61 assentos, pode ser formado um governo minoritário, apoiando-se no respaldo pontual de determinados deputados.
Nesse cenário, as duas legendas árabes israelenses despontam como possíveis árbitros da situação.
O partido Raam, de Mansur Abbas, disse que está disposto a trabalhar com o bloco de Eisenkot, e a Lista Unificada propôs oferecer uma "rede de segurança" a qualquer coalizão que retire Netanyahu do poder.
Mas, durante a campanha, as principais figuras do bloco opositor mostraram-se relutantes em se aliar aos partidos árabes israelenses devido à hostilidade de grande parte do eleitorado em relação a eles.
Netanyahu sabe disso muito bem e centrou sua campanha em uma possível cooperação entre o bloco de Eisenkot e os partidos árabes, que ele apresenta como a aliança da "esquerda e da Irmandade Muçulmana" e como uma ameaça ao Estado de Israel.
Essa hipótese parece fantasiosa, dada a extrema polarização política em Israel. Mas a união de partidos chamados "sionistas", excluindo as formações árabes e ultrarreligiosas, é mencionada regularmente pelos analistas.
Uma pesquisa publicada em meados de outubro indicou que 55% dos entrevistados preferiam um governo de unidade nacional a novas eleições, caso ninguém obtivesse uma maioria clara.
Esse cenário tem um precedente recente: em 2020, Netanyahu e o centrista Benny Gantz chegaram, apesar de sua profunda inimizade, a um acordo de divisão de poder depois de três eleições em menos de um ano, que previa uma alternância no cargo de primeiro-ministro.
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