Espanha realoca migrantes em Ceuta; 500 menores devem ser transferidos para o continente
O governo espanhol começou nesta quinta-feira (20/08) a transferir migrantes que permaneciam em acampamentos improvisados ou nas ruas de Ceuta para espaços temporários de acolhimento. A ação acontece quase três semanas depois da entrada em massa registrada nos dias 30 e 31 de julho.
A primeira operação teve início com as pessoas que estavam na praia de El Trampolín e na região de Loma Colmenar e está sendo realizada de forma voluntária, segundo o Ministério da Inclusão, Segurança Social e Migrações.
Dois espaços foram habilitados nesta primeira fase, em Loma Margarita e El Embolsamiento, com capacidade conjunta para cerca de 1.800 pessoas. A Polícia Nacional, outras forças de segurança do Estado e autoridades de Ceuta participam do dispositivo, cujo objetivo declarado é retirar pessoas que estavam dormindo ao ar livre e oferecer condições de alojamento mais seguras.
Até o fim da manhã, cerca de 1.500 pessoas haviam sido realocadas, segundo a Radiotelevisión Española (RTVE) . Durante a operação, os migrantes foram organizados de acordo com o idioma para receber informações, com o apoio de entidades que atuam no acolhimento. Fontes do dispositivo disseram ao El País que a retirada de grupos que estavam em El Trampolín também teve motivação humanitária, já que as pessoas que dormiam ao ar livre estavam expostas ao mau tempo.
A movimentação ocorre depois de semanas em que milhares de pessoas permaneceram espalhadas pela cidade autônoma. Ceuta, território espanhol situado no norte da África e na fronteira com Marrocos , também faz parte da fronteira externa da União Europeia. As estimativas mais recentes do governo espanhol apontam para cerca de 80 mil entradas nos dias 30 e 31 de julho. A maior parte dessas pessoas já retornou a Marrocos, mas milhares continuam em Ceuta. Segundo autoridades locais, entre 5 mil e 8 mil migrantes ainda permaneciam na cidade nos últimos dias.
Uma das grandes dificuldades na gestão da crise é determinar quantas crianças e adolescentes ainda permanecem em Ceuta e definir as medidas de proteção para esse grupo. Na terça-feira (18/08) pela manhã, a Polícia Nacional havia identificado 2.168 menores, segundo dados publicados pela RTVE .
Nesta quinta-feira, porém, o secretário de Estado de Juventude e Infância, Rubén Pérez Correa, apresentou uma referência mais atual e admitiu que o governo não conhece o número exato de menores migrantes que continuam na cidade autônoma . Em entrevista à rede Cadena SER , o secretário afirmou que os dados dos sistemas de proteção indicam entre 2.400 e 2.500 menores, mas ainda haveria outros menores nas ruas que não foram contabilizados.
A ministra da Juventude e Infância Sira Rego já havia chamado a atenção para uma mudança no perfil dos migrantes em comparação com a crise de 2021: desta vez, segundo a ministra, chegaram mais meninas desacompanhadas e também crianças muito pequenas sem acompanhamento adulto.
Dentro desse grupo, o governo trabalha em uma solução específica para os perfis considerados mais vulneráveis.
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