Para analistas, desaceleração do PIB é resultado dos juros altos no Brasil
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026.
O número ficou levemente acima do esperado pelo mercado, que projetava alta de 0,4%.
Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o PIB cresceu 2%.
Mas o crescimento acumulado em quatro trimestres desacelerou para 1,9%.
Essa perda de força, na avaliação de analistas, é resultado das elevadas taxas de juros no Brasil.
Leia também Brasil Queda no consumo das famílias ajudou a desacelerar PIB do 2º trimestre Brasil PIB do 2º trimestre cresce 0,5% puxado pelo agro, mas economia desacelera Economia Dólar sobe com aversão a risco e barril de petróleo acima de US$ 92 Economia Para analistas, inflação abaixo do esperado favorece corte de juros Na avaliação de Pablo Spyer, da Associação Nacional das Corretoras (Ancord), o principal destaque positivo do PIB foi o agronegócio, que avançou 2,8%, enquanto os investimentos cresceram 1,2%.
“O dado que chama mais atenção, no entanto, é o consumo das famílias, que caiu 0,4% na comparação com o primeiro trimestre”, diz.
“Essa é uma sinalização clara de que os juros ainda elevados estão pesando sobre a demanda.” Para o mercado financeiro, observa o analista, o PIB veio um pouco melhor do que o esperado, “mas não muda a fotografia de uma economia que está perdendo ritmo”.
Consumo das famílias “E isso aumenta a importância dos novos dados de inflação e atividade para definir os próximos passos do Banco Central”, afirma Spyer.
“O ponto de atenção é que o crescimento veio muito concentrado no agro e em alguns componentes do investimento, enquanto o consumo das famílias, que é um dos principais motores da economia, mostrou retração.” Em suma, diz o conselheiro da Ancord, a mensagem do PIB é: a economia ainda cresce, mas está claramente pisando no freio.
“E, para o investidor, essa combinação de desaceleração da atividade com juros ainda elevados será fundamental para determinar o comportamento dos ativos nos próximos meses”, diz o especialista.
“Variações modestas” André Valério, economista do Banco Inter, considera que, apesar das surpresas positivas tanto na variação trimestral quanto na anual, a tendência é de moderação da atividade.
“Esperamos que o PIB apresente variações modestas nos próximos dois trimestres, com os consumidores ainda muito restritos pelas condições financeiras adversas e o agro deixando de ser uma contribuição positiva”, diz.
“Isso depois de passado o período sazonal de colheita e considerando os potenciais impactos negativos do El Niño.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.metropoles.com — o conteúdo pertence a Metrópoles.