Ministros de Lula e do STF criticam decisões da PF e de Moraes sobre Flávio Bolsonaro
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, acatando pedido da Polícia Federal, de mandar cancelar os passaportes do senador Flávio Bolsonaro foi criticada por ministros do presidente Lula e do Supremo Tribunal Federal. Segundo eles, PF e Moraes jogaram "gasolina numa fogueira que estava diminuindo de intensidade" e que o ideal seria aguardar alguns dias antes de tomar qualquer medida.
Em relação ao risco de fuga do ex-candidato do PL à Presidência da República, esses ministros avaliam que era melhor deixar que acontecesse, se esse era realmente o plano de Flávio Bolsonaro, para mostrar que ele estava fugindo da Justiça brasileira. Agora, dizem, o senador poderá levantar o discurso de que é "vítima de uma perseguição política".
Principalmente porque a decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, principal alvo de bolsonaristas durante as eleições deste ano, resultando na eleição de uma bancada expressiva de senadores e deputados do PL no Congresso Nacional. "Eu não teria tomado essa decisão. Vão comparar com o caso Lulinha, que saiu do Brasil e está na Espanha. O André Mendonça [relator do inquérito sobre o filho de Lula] não tomou nenhuma medida contra ele, e poderia ter feito algo semelhante", disse reservadamente um ministro do STF.
Um ministro de Lula se mostrava irritado com a decisão de Alexandre de Moraes, destacando que ele não poderia ter tomado uma decisão dessa minutos depois de anunciado o resultado da eleição, com a vitória do presidente Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro. "Foi um erro político, o Moraes não poderia ter feito isso neste momento, se ele fugisse, ia ficar desmoralizado. Agora ele vai vestir o figurino de vítima", afirmou o ministro de Lula.
Um interlocutor do presidente vai aconselhá-lo a não tocar mais no assunto. Segundo ele, Lula tem de virar essa página, ficar criticando o Flávio Bolsonaro só vai deixar o ambiente político mais turbulento. O momento, diz esse conselheiro do presidente, é de cuidar das medidas e montagem do novo governo.
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