O que a ciência quer descobrir com o eclipse solar na Europa
O que a ciência quer descobrir com o eclipse solar na Europa - Da biologia à astrofísica, cientistas se preparam há meses para o raro fenômeno, na esperança de obter registros valiosos em só alguns poucos minutos de escuridão.Já virou tradição na ciência: um eclipse solar total representa uma muito aguardada oportunidade para pesquisadores fazerem avanços em diversos campos de estudo. Foi ao observar um eclipse em 1919, por exemplo, que o astrônomo britânico Arthur Eddington confirmou a teoria da relatividade de Albert Einstein na costa da África Ocidental.
Não será diferente nesta quarta-feira (12/08), quando o raro fenômeno acontecerá em diferentes partes do Hemisfério Norte, desde o norte da Rússia até Espanha e Portugal. Da biologia à astrofísica, cientistas se preparam há meses para o eclipse, na esperança de obter registros valiosos em só alguns poucos minutos de escuridão.
Na Espanha, por exemplo, quando os olhos dos curiosos pela astronomia estiverem voltados aos céus, um grupo de pesquisadores estará virado para outro lado. Eles querem analisar como plantas e animais reagem ao eclipse.
O campo é pouco explorado, e quase nada se sabe sobre como alguns minutos de escuridão repentina afetam estes seres. Os escassos estudos já realizados indicam que eles reagem aos sinais que acompanham o eclipse.
"Os impactos que isso causa em cada espécie dependem muito do nível cognitivo do indivíduo. Vão desde ficar assustado, agrupar-se e ir para seus locais de descanso, até observar o pôr do sol ou começar a apontar, como no caso dos chimpanzés", explica o pesquisador do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha, Airam Rodríguez.
Rodríguez é um dos criadores do EcoEclipse, projeto pioneiro na Europa dedicado ao tema. A equipe fará gravações de som ambiente nos dois dias que antecedem o fenômeno, durante o próprio dia e nos dois dias seguintes, a fim de comparar comportamentos das espécies estudadas durante o eclipse com os de dias normais.
"As reações serão publicadas em formato bruto para que outros pesquisadores, no futuro, possam estudar como o ruído ambiental se altera, e não apenas o produzido por animais", acrescenta ele.
Serão gravadas as reações de diversas espécies, mas por ora o projeto terá como foco as aves - cujos ritmos diários e sazonais são estritamente regulados pelas mudanças entre a luz e a escuridão - e os morcegos.
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