As eleições estaduais na Alemanha que podem definir o futuro de Merz
As eleições estaduais na Alemanha que podem definir o futuro de Merz - Votações em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental deverão registrar avanços da AfD e nova queda da CDU, partido do chanceler federal, que enfrenta fortes críticas internas.As atenções na Alemanha se voltam neste domingo (20/09) para as eleições estaduais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, apenas duas semanas depois do pleito no estado da Saxônia-Anhalt que registrou a inédita vitória, com uma votação de quase 44%, do partido da ultradireita e anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD).
Assim como na eleição precedente, os pleitos em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental ultrapassam a relevância regional e são decisivos também para o futuro político do chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, cuja popularidade está em baixa e que enfrenta um crescente questionamento dentro do seu próprio partido, a conservadora União Democrata Cristã (CDU).
Na Saxônia-Anhalt, a CDU viu sua votação diminuir pela metade e chegar a apenas 17,2% após uma campanha dominada por temas nacionais e críticas ao governo federal.
Pesquisas indicam que o partido, que hoje governa a cidade-Estado de Berlim em coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD), deverá amargar nova queda na capital, onde disputa a liderança nas urnas com A Esquerda. Ambos alcançam em torno de 20% dos votos, e algumas projeções dão uma pequena vantagem para o partido esquerdista. A AfD aparece um pouco atrás, com 18%, devido sobretudo à votação na antiga parte oriental da capital alemã, e o Partido Verde aparece com 16%.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, as pesquisas dão apenas 7% dos votos para a CDU. A AfD está à frente nas sondagens nesse antigo estado da Alemanha Oriental, com até 38% das intenções de voto. A legenda, porém, é seguida de perto pelo SPD, que é liderado no estado pela carismática governadora Manuela Schwesig e aparece com até 34% nas sondagens. Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental é um bastião do SPD, que governa o estado desde 1998.
Apesar do forte avanço da AfD em ambos os estados, a situação neles é diferente da verificada na Saxônia-Anhalt. Em nenhum deles a AfD deverá chegar ao governo, mesmo se vencer em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Isso porque os demais partidos, com exceção da pequena sigla antiwoke Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica (BSW), rejeitam categoricamente uma coalizão com a ultradireita, e as pesquisas mostram que, tanto em Berlim como em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, deverá ser possível formar um governo sem a AfD.
Se as pesquisas eleitorais se confirmarem, sobretudo a pior votação da história da CDU em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental trará novas dores de cabeça para Merz e a liderança do partido – o chanceler está sendo abertamente criticado por integrantes da CDU, que internamente especula sobre um sucessor para o impopular líder. O nome mais frequentemente mencionado é o do governador da Renânia do Norte-Vestfália, Hendrik Wüst.
Merz chamou a liderança do partido para uma reunião em Berlim na noite deste domingo para discutir os resultados das duas eleições e suas consequências.
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