Um acampamento de quase 14 mil anos reapareceu onde hoje existe mar entre a Rússia e a América do Norte
Escavações no Alasca revelam ferramentas, fogueiras e possíveis habitações de comunidades que viveram quando a Ásia e a América estavam conectadas
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Uma escavação no Alasca revelou um acampamento de 13.800 anos com mais de 80 mil vestígios arqueológicos, incluindo ferramentas, fogueiras e possíveis estruturas de habitação. A descoberta ajuda a reconstruir a vida na Beríngia, território que ligava a Ásia à América do Norte antes de grande parte dessa paisagem desaparecer sob o mar.
Durante a última Era do Gelo, enormes quantidades de água permaneceram armazenadas nas geleiras, reduzindo o nível dos oceanos. Essa transformação expôs uma extensa faixa continental entre a atual Rússia e o Alasca, conhecida como Ponte de Bering, permitindo a circulação de animais e populações humanas.
O acampamento de Shég’ Xdaltth’í’, entretanto, não foi encontrado debaixo d’água. Ele permanece em terra firme, aproximadamente 55 quilômetros ao sudeste de Fairbanks, no Alasca. Seu valor está em preservar evidências de comunidades que viveram quando a conexão continental ainda existia.
As escavações identificaram três períodos principais de ocupação, datados de aproximadamente 13.800, 13.000 e 12.700 anos atrás. A camada mais antiga apresentou uma concentração excepcional de materiais, sugerindo atividades domésticas e retornos frequentes ao mesmo local.
Entre os achados estão uma bigorna de pedra, instrumentos para quebrar ossos, agulhas, pontas de armas e vestígios de fogueiras. Uma estrutura com carvão, ferramentas e restos animais pode representar uma das evidências mais antigas de habitação construída na América do Norte.
O vídeo First Americans & Prehistoric Arrivals: Boats, Ice, Land Bridges, do canal Jeffrey the Librarian, apresenta a geografia da antiga Ponte de Bering e explica como diferentes rotas de deslocamento humano são investigadas.
O sítio ocupa uma elevação próxima ao rio Tanana. Atualmente, a área apresenta árvores, mas durante o Pleistoceno predominavam vegetações baixas e ambientes abertos. Essa paisagem favorecia a circulação de grandes mamíferos e oferecia recursos importantes às comunidades caçadoras-coletoras.
Os pesquisadores encontraram restos de bisões, mamutes, cavalos e aves. Ossos quebrados junto a uma bigorna indicam atividades destinadas à extração de tutano e gordura. Um forno escavado no solo provavelmente era utilizado para cozinhar carne lentamente, aproveitando melhor os alimentos disponíveis.
O estudo original publicado na Science Advances , em 14 de outubro de 2026, foi liderado por Kelly Graf e Ted Goebel, da Universidade do Kansas, com colaboração de pesquisadores norte-americanos, europeus e representantes de comunidades indígenas do Alasca.
A equipe realizou 66 datações por radiocarbono, principalmente em carvão e ossos animais. Também examinou a distribuição espacial de ferramentas, restos alimentares e estruturas. A combinação desses dados permitiu distinguir períodos de ocupação e investigar possíveis conexões tecnológicas com populações da Sibéria.
Um dos aspectos mais importantes é a organização das áreas utilizadas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.