Daniela Lima: PGR pesou a mão em manifestação e Gonet errou feio
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O procurador-geral da República, Paulo Gonet, "pesou a mão" na manifestação contra o relatório da Polícia Federal que citava conversas de Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes, avaliou Daniela Lima no Pulso Político , do Canal UOL.
Para a jornalista, a manifestação da PGR buscou fazer um "contraponto" rápido a uma narrativa que dominou o noticiário, mas também abriu uma nova frente de tensão institucional ao apontar conduta do ministro André Mendonça.
Eu achei que o procurador-geral pesou a mão e pesou propositadamente. Achei que errou muito feio em não dizer que ele também está citado. Muito feio. Até porque ele também detém uma prerrogativa própria para avançar sobre o chefe do Ministério Público. Porque se todo promotor, todo policial pudesse investigar o chefe do Ministério Público, não parava ninguém em paz. Daniela Lima
Na manifestação, Gonet afirmou que André Mendonça, relator do caso Master no STF, sabia que entre as pessoas mencionadas no material estavam autoridades com foro por prerrogativa de função, incluindo Alexandre de Moraes. O procurador-geral também destacou que, das mais de 200 páginas do informe produzido pela PF, 188 foram dedicadas ao ministro.
A apresentadora também disse que a manifestação atribui a Mendonça uma ação deliberada ao determinar o aprofundamento da apuração sobre os nomes encontrados no material de Vorcaro. Para a apresentadora, Gonet sustenta que a medida resultou na produção de um relatório que expôs Moraes.
O debate avançou para a origem do conflito. O colunista do UOL Cézar Feitoza disse que o caso é mais um sintoma de uma "desconfiança generalizada" entre instituições e seus integrantes, que contamina decisões e reações em cadeia.
O início de tudo e a origem de todos esses problemas é a desconfiança generalizada de instituições contra outras instituições ou de integrantes de instituições contra integrantes de outras instituições. Cézar Feitoza
Feitoza afirmou que Mendonça tem dito a interlocutores que desconfia da atuação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, por supostos vazamentos. Ele citou, como exemplo, o caso de Jacques Wagner, que teria procurado o ministro antes de buscas e apreensões.
O ministro André Mendonça tem falado em interlocutores já há muito tempo que ele desconfia, por exemplo, da atuação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, no vazamento de informações sigilosas sobre operações. Cézar Feitoza
Segundo o colunista, essa desconfiança teria influenciado medidas como a "compartimentação" de informações no caso Master e a decisão de manter dados brutos de celulares no gabinete do ministro, inclusive material lacrado ligado a Vorcaro.
Há uma crise de desconfiança generalizada entre as instituições e isso causa esses ambientes insalubres hoje aqui em Brasil. Cézar Feitoza
O Pulso Político vai ao ar de segunda a sexta, das 12h30 às 14h30, com apresentação de Daniela Lima.
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