Como PF consegue ler mensagens de Vorcaro, mesmo apagadas e vistas uma vez
Mesmo sem a senha do celular, a Polícia Federal usa uma série de sistemas e técnicas para obter informações, inclusive mensagens apagadas e de visualização única.
Mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF) indicam que Daniel Vorcaro tentou usar a proximidade com Alexandre de Moraes para conter o avanço de investigações. O material aponta pedidos do empresário para que o ministro ajudasse a tratar do caso com a PF e com a PGR (Procuradoria-Geral da República), às vésperas da primeira prisão de Vorcaro.
Peritos usam ferramentas para desbloquear o aparelho e acessar dados como se fossem o próprio usuário. A PF dispõe de soluções como o sistema israelense Cellebrite e o americano GrayKey, capazes de explorar falhas de segurança para contornar o bloqueio de tela e extrair mensagens, fotos e vídeos.
Mesmo sem a senha do celular apreendido, a perícia pode usar esses sistemas para tentar obter informações relevantes para a investigação. No caso do Banco Master, a reportagem relata que Vorcaro se recusou a fornecer a senha de desbloqueio de um iPhone 17 Pro apreendido.
Além do conteúdo de mensagens, a perícia pode cruzar dados de localização, registros de aplicativos e metadados. A reportagem descreve o uso de sistemas que analisam rastros digitais e identificam padrões a partir de informações ocultas em fotos e vídeos, como data, hora e local.
Geralmente, após a extração de informações a PF usa uma solução própria para analisar os dados. Chamado de Iped (Indexador e Processador de Evidências Digitais), o sistema funciona como um "Google" das evidências, ao indexar milhões de arquivos e organizar mensagens, fotos e documentos. Nele, peritos conseguem ainda pesquisar palavras-chave e transcrever áudios.
Ferramentas de extração já aparecem em investigações de grande repercussão no Brasil. A solução Cellebrite foi usada, por exemplo, para acessar o celular de Frederick Wassef, advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro, e em apurações sobre a morte do menino Henry Borel.
* Com informações de reportagens publicadas em 05/02/2026 e 01/09/2026 .
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