Doença rara que atinge os olhos tem origem em anticorpo que também afeta a tireoide
A denominação “doenças raras” abrange um leque de pelo menos 5 mil enfermidades que atingem até 65 em cada 100 mil pessoas, ou seja, um número relativamente pequeno de indivíduos.
Por esse motivo, os pacientes demoram a receber um diagnóstico ou tratamento.
É o caso da Doença Ocular da Tireoide (DOT), de origem autoimune e que pode causar repercussões de longo prazo, como desfiguramento facial, estrabismo e neuropatia óptica, com risco até de perda da visão.
Conversei com o endocrinologista Cléo Otaviano Mesa Junior, professor de medicina da PUC-PR e médico do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, onde é responsável técnico pelo serviço de endocrinologia, que me deu uma “aula”: Patricia Gasques: paciente portadora de Doença Ocular da Tireoide Divulgação “Para entender a doença, é preciso saber que há uma base comum entre o que acontece no olho e na tireoide, embora as abordagens terapêuticas não sejam as mesmas.
Ocorre um desequilíbrio no sistema imunológico e a pessoa começa a fabricar um anticorpo, o TRAb (Anticorpo Antirreceptor de TSH), que afeta uma proteína que existe na tireoide, provocando uma produção excessiva de hormônio que se traduz no hipertireoidismo.
A questão é que os receptores que existem na tireoide também estão presentes nos tecidos, gordura e músculos que ficam atrás dos olhos.
Quando o TRAb se liga a eles nessa região ocular, desencadeia um processo inflamatório que causa os sintomas da DOT, como olhos saltados (proptose) e inchaço”, explicou.
A grande maioria com disfunções na tireoide não apresenta o quadro grave nos olhos.
Há, inclusive, aqueles que só têm o problema ocular.
Para complicar um pouco mais: não é todo paciente com distúrbios de tireoide que vai desenvolver a DOT, e nem todo paciente com DOT tem uma condição tireoidiana, como hipotireoidismo ou hipertireoidismo.
A lista de sintomas de desconfortos é longa: olhos projetados para fora, retração palpebral, dificuldades de fechar os olhos, vermelhidão, inchaço, sensação de areia nos olhos, fotofobia, lacrimejamento excessivo, visão embaçada e visão dupla (diplopia).
Sem contar os efeitos psicológicos, bastante impactantes: 52% apresentam perda de autoconfiança; 63% sofrem um impacto psicossocial pela mudança na aparência; e 45% desenvolvem estresse e ansiedade.
“Afeta demais a vida do paciente: não apenas a visão prejudicada que interfere nas atividades profissionais e do dia a dia, mas também a questão estética, de como as pessoas o reconhecem”, diz Mesa Junior.
O tratamento pode envolver descompressão da órbita, correção do estrabismo e correção de retração palpebral, além de medicamentos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1.