Fapesp restringe alunos de graduação e de mestrado em bolsas de estágio no exterior e reduz tempo de auxílio no doutorado
Regras para bolsas da Fapesp de estágio no exterior foram modificadas FEQ-Unicamp/Agência FAPESP Alunos de graduação e de mestrado não poderão mais pleitear a qualquer momento uma Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE) — espécie de “intercâmbio” oferecido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para o fortalecimento da ciência no país.
Pelas regras instituídas nesta terça-feira (1º), haverá apenas chamadas específicas a serem abertas pontualmente. 📈Contexto: Na última semana, o regulamento da Fapesp excluía totalmente qualquer possibilidade de estudantes dessas duas modalidades entrarem no BEPE.
Após o governador de São Paulo e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmar, na sexta-feira (28), que a fundação iria rever essa regra, houve uma mudança: apesar de o fluxo contínuo de adesão continuar interrompido, passou-se a admitir a possibilidade de futuros editais voltados só para iniciação científica e mestrado.
O BEPE será mantido para doutorandos e pós-doutorandos, mas com duração reduzida pela metade: em vez de passarem um ano em uma universidade fora do Brasil, permanecerão por apenas 6 meses (a prorrogação por mais outros 6 meses só ocorrerá em “condições excepcionais e justificadas”, segundo o regulamento).
Ao g1, a Fapesp esclarece, em nota, que não houve corte no orçamento ou nas bolsas, e sim ajustes pontuais nos critérios de elegibilidade e de duração, “totalmente necessários, para preservar simultaneamente a excelência das bolsas, o financiamento da pesquisa e a capacidade de investimento de longo prazo da Fundação”(leia mais abaixo). ➡️Entidades ligadas à ciência, professores e alunos afirmam que esse “enxugamento” do BEPE compromete o desenvolvimento de pesquisas que poderiam trazer avanços para a sociedade brasileira.
João Marcelo Alves, por exemplo, doutorando em Física na Universidade Federal do ABC (UFABC), havia acabado de submeter sua proposta para o BEPE — ele faz simulações computacionais para calcular propriedades óticas, eletrônicas e vibracionais de estruturas cristalinas.
Em termos práticos: explora formas mais eficientes de produzir energia renovável (principalmente solar).
“Fui surpreendido por essa mudança de regra na duração da bolsa.
Precisarei adequar todo o meu cronograma, porque vou perder tempo de pesquisa e de colaboração de cientistas dos Estados Unidos”, diz.
“Reduzir o tempo do doutorado e tirar o mestrado do [fluxo contínuo do] BEPE são formas de comprometer a internacionalização.
E, atualmente, é impossível fazer ciência sozinho.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Educação.