Análise: Relação de Trump com Kim pode atrasar plano para Coreia do Sul
Ao reduzir repentinamente a escala dos exercícios militares com a Coreia do Sul, o presidente dos EUA, Donald Trump, corre o risco de contrariar seu próprio objetivo declarado de fazer com que Seul assuma mais responsabilidade por sua própria defesa.
Os exercícios anuais “Ulchi Freedom Shield”, que envolvem dezenas de milhares de soldados, tiveram sua escala reduzida pela metade a pedido de Washington, depois que Trump afirmou, no fim de semana passado, que as manobras desagradavam seu amigo — o líder norte-coreano Kim Jong-un — e custavam muito dinheiro aos EUA.
Esses exercícios “enviam um sinal totalmente inadequado e hostil”, publicou Trump na rede social Truth Social no domingo (16), no que pareceu ser uma tentativa de apaziguar o reservado Kim, com quem Trump deseja se encontrar novamente .
Leia Mais Coreia do Sul realiza exercícios militares após redução anunciada por Trump Decisão sobre Coreia do Sul expõe fragilidade do plano de Trump na Ásia Exercícios EUA-Coreia do Sul devem ser reduzidos pela metade, diz mídia A parte sobre a natureza “hostil” é difícil de conciliar com o caráter defensivo dos exercícios e é surpreendentemente semelhante à forma como a mídia estatal da Coreia do Norte descreve as manobras.
Washington e Seul afirmaram repetidamente que o objetivo é a dissuasão e a defesa, e não a tomada de territórios ao norte da zona desmilitarizada que divide as Coreias desde o armistício de 1953.
Analistas apontam que, entre as atividades dos exercícios militares, está o treinamento para conceder à Coreia do Sul algo que ela não possui desde o início da Guerra da Coreia, em 1950: o controle operacional em tempo de guerra das forças combinadas da Coreia do Sul e dos EUA na península.
Esse é um objetivo fundamental para ambos os países.
Assim que Seul demonstrar capacidade de assumir esse encargo, Washington poderá adotar uma postura de segundo plano em qualquer conflito futuro, fornecendo poder de fogo, mas deixando que a Coreia do Sul assuma a maior parte da responsabilidade e dos custos de sua defesa.
O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, declarou na quarta-feira que concordava com a opinião de Trump de que a Coreia do Sul deveria assumir a responsabilidade por sua própria segurança na Península Coreana, aumentando rapidamente seus gastos com defesa para 3,5% do PIB.
Ele também afirmou que a decisão de Trump de reduzir a duração dos exercícios “parece uma decisão importante, tomada com profunda consideração pela criação da paz na Península Coreana, para além da hostilidade e do confronto”.
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