Nova tecnologia pode ajudar pesquisa por vacina contra sífilis ao superar obstáculo histórico da biologia
Nova tecnologia pode destravar vacina contra sífilis ao superar obstáculo histórico da biologia Adobe Stock Um dos obstáculos para desenvolver uma vacina contra a sífilis está na própria superfície da bactéria que causa a doença.
Algumas proteínas da membrana externa da Treponema pallidum são vistas como possíveis alvos para uma vacina porque ficam expostas ao sistema imunológico e podem ajudar o organismo a reconhecer o invasor.
O problema é que essas proteínas são difíceis de estudar em laboratório.
Como parte delas fica encaixada na membrana da bactéria, elas têm regiões que repelem a água e tendem a perder a forma ou se aglomerar quando são retiradas de seu ambiente natural.
Sem conhecer bem sua estrutura, fica mais difícil avaliar se podem servir como antígenos em uma futura vacina.
Pesquisadores desenvolveram agora uma tecnologia para contornar esse obstáculo.
O método usa proteínas artificiais projetadas por computador, chamadas WRAPs, que funcionam como uma espécie de capa ao redor das regiões que repelem a água.
Com esse revestimento, as proteínas da membrana permanecem solúveis e estáveis em água, sem necessidade de detergentes.
O avanço permitiu obter versões solúveis de proteínas da membrana externa da bactéria causadora da sífilis e estudar se elas preservavam características importantes para serem reconhecidas por anticorpos.
O estudo foi publicado na revista científica "Science".
A pesquisa, porém, ainda é uma etapa inicial: não houve teste de vacina, demonstração de proteção contra a sífilis nem aplicação em humanos.
Por que desenvolver uma vacina contra a sífilis é tão difícil? As proteínas de membrana ficam na interface entre o interior e o exterior das células e desempenham funções essenciais, como detectar sinais, controlar a entrada e saída de moléculas e participar de processos de infecção.
O problema é que essas proteínas possuem superfícies hidrofóbicas — que repelem a água.
Fora da membrana celular, tornam-se instáveis, dificultando sua produção, purificação e análise em laboratório.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1.