Após mais de um século, o biscoito mais vendido do Brasil passa por três mudanças de uma só vez nas prateleiras
Mudanças percebidas por consumidores em produtos tradicionais levantam dúvidas sobre receita, quantidade, embalagem e troca de controle.
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A história por trás da Piraquê exige uma correção importante: a marca começou em 1950, e não há comprovação de que receita, embalagem e tamanho tenham mudado simultaneamente. O que existe é uma aquisição bilionária, alterações visuais ao longo dos anos e relatos de consumidores sobre sabor, peso e apresentação .
O comunicado oficial da M. Dias Branco descreveu a compra como parte da estratégia de crescer no Sul e Sudeste e ampliar o portfólio com produtos de maior valor agregado. A compradora é brasileira, e não um fundo estrangeiro.
Não. A própria trajetória da Piraquê começa em 1950 , quando teve início a construção da fábrica em Madureira, no Rio de Janeiro. A unidade de biscoitos foi inaugurada em 1953.
Isso significa que, em 2026, a marca tem cerca de 76 anos, e não 112. O dado de “mais de um século” circulou em chamadas sobre a empresa, mas não corresponde à cronologia divulgada pela própria fabricante.
Não há documentação pública que confirme uma reformulação simultânea de toda a linha nesses três pontos. Consumidores relatam mudanças de sabor, textura, peso e apresentação, mas percepção individual não basta para demonstrar que todas ocorreram juntas ou tiveram a mesma causa.
As embalagens, inclusive, já passavam por redesign antes da venda de 2018. A marca registra uma modernização do logotipo e um processo de atualização dos pacotes iniciado em 2009, quase uma década antes da aquisição.
A mudança comprovada foi societária: a Piraquê deixou de ser controlada pelos antigos acionistas e passou a integrar a M. Dias Branco. Na época, a empresa adquirida havia registrado R$ 717 milhões de receita líquida entre outubro de 2016 e setembro de 2017.
Uma aquisição desse porte pode levar a ajustes de produção, distribuição, portfólio e posicionamento comercial. Porém, atribuir cada diferença de sabor ou tamanho diretamente à troca de controle exigiria documentação específica da fabricante para cada produto.
Quando uma fabricante reduz a quantidade de um produto embalado, a Portaria nº 392/2021 do Ministério da Justiça determina informação clara ao consumidor. O rótulo deve indicar a quantidade anterior, a nova quantidade e a diferença absoluta e percentual.
Esse aviso precisa permanecer na embalagem por pelo menos seis meses após a redução. Dessa forma, mudanças de peso são mais fáceis de comprovar do que alterações percebidas apenas no sabor ou na textura.
Produtos comprados durante anos criam uma referência muito específica de sabor, textura, formato e quantidade. Por isso, alterações pequenas podem chamar atenção de quem conhece o biscoito há décadas, mesmo quando a mudança não foi anunciada como uma reformulação geral.
No caso da Piraquê, existem fatos documentados, como a venda de 2018 e antigas mudanças de embalagem, e existem relatos de consumidores. O cuidado é não misturar as duas coisas: não há base pública para afirmar que três grandes mudanças atingiram toda a linha simultaneamente .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.