Os danos à saúde provocados pelo vício em pornografia, em alta na era digital
A obsessão começou cedo — e em um lugar improvável.
A. tinha 10 anos quando travou seus primeiros contatos com imagens eróticas e pornográficas em revistas espalhadas sob a bancada do salão de cabeleireiro que frequentava.
Depois vieram os filmes alugados ou exibidos na TV de madrugada.
Mais tarde, com a internet, ele virou fã de unidades de lanchonetes de fast food que ofereciam computadores de acesso irrestrito — seu canal para o mundo do sexo.
O passo seguinte, obviamente, veio com a compra de um smartphone e a oferta interminável de vídeos disponíveis.
As cenas se multiplicavam na palma da mão.
Já adulto, chegou a passar oito horas por dia consumindo pornografia.
“Meu cérebro só pensava em sexo”, conta o vendedor, que pediu anonimato à reportagem de VEJA enquanto continua fazendo tratamento para a dependência.
Ele não está só.
Com o fácil acesso a sites e a ascensão das plataformas de conteúdo adulto, o chamado uso problemático de pornografia atinge, segundo novos estudos, cerca de 10% da população, podendo evoluir para uma doença mental e destruir famílias.
O consumo de fotos, vídeos e transmissões ao vivo se tornou uma realidade que, para algumas pessoas, transforma prazer em sofrimento.
A., como outros que procuram terapia, não dormia e acessava conteúdos até no trabalho.
Mas nunca se contentava: “Queria cenas cada vez mais fortes”.
Não é por acaso que esse comportamento é visto como uma dependência, compartilhando circuitos cerebrais ativados pelo uso de drogas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.