Escudo das Américas: Planalto vê estratégia dos EUA por controle na região
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a declaração conjunta assinada nessa terça-feira (22/9) pelos países membros do Escudo das Américas , que classificou as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações narcoterroristas, fortalece a implementação da política de segurança dos Estados Unidos para a América Latina.
Na avaliação do Brasil, a medida é grave a longo prazo porque pode ser ampliada para outros pontos considerados estratégicos pelos EUA, como o controle de minerais críticos e terras raras da região e a blindagem dos territórios de investimentos da Rússia e, principalmente, da China .
A visão do Planalto é de que a ação conjunta contra o narcotráfico pode abrir precedente para que os 14 países latino-americanos e caribenhos que integram o grupo também possar aderir a iniciativas sobre esses outros temas.
Membros do governo acreditam que os países temem os EUA, principalmente diante da possibilidade de retaliações por meio de tarifas.
De acordo com auxiliares de Lula, a ação fortalece a nova lógica do relacionamento norte-americano com a região, baseada na dominação e nos princípios da Doutrina Monroe.
No segundo mandato de Donald Trump , a América Latina e o Caribe são considerados territórios estratégicos de disputa, contenção e demonstração de força militar.
Em maio, os Estados Unidos já haviam designado o PCC e o CV como organizações terroristas.
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Segundo essas fontes, alguns fatos já apontavam para uma ação dos EUA nesse sentido.
Um deles foi o documento da Casa Branca divulgado na quarta-feira passada (16/9) , que critica o Brasil por supostamente ter falhado no combate ao PCC e ao CV.
Outro foi a ofensiva dos EUA contra a Nicarágua após o país proibir a participação de opositores nas eleições.
Reunião do Escudo das Américas na ONU Os países membros do Escudo das Américas aprovaram a declaração conjunta sobre o tema após uma reunião nessa terça-feira, às margens da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
No encontro, o líder norte-americano pediu a designação dos grupos pelos países participantes.
O grupo é formado, além dos EUA, pelos governos da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
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