'Não é só dinheiro': como Haas avaliará pilotos em teste que inclui Câmara?
Para ilustrar os problemas financeiros, a Haas é a única equipe do grid que ainda não arrecadou o dinheiro necessário para estourar o teto de gastos de 2026 — estabelecido em US$ 215 milhões (R$ 1,1 bilhão). Dentro deste cenário, é provável que a escuderia estadunidense se livre do francês Esteban Ocon, que não traz tantos parceiros comerciais para a Haas.
A Haas está operando abaixo do teto orçamentário. É a única equipe que nem tem receita suficiente para cobrir o teto orçamentário, que é de menos de 300 milhões de dólares. O Ocon não tem tanto apoio financeiro e também recebe salário. Ele foi contratado quando a Haas operava acima do teto. Mas o teto aumentou, e a Haas não cresceu suas receitas. Ele foi contratado dentro de outra realidade, por isso que a situação dele se complica. Julianne Cerasoli, no Pole Position, programa do Canal UOL
Devido a isso, a Haas está avaliando pilotos para o ano que vem e fará um teste entre hoje e amanhã com três fortes candidatos: o brasileiro Rafael Câmara, o italiano Leonardo Fornaroli e o japonês Ryo Hirakawa. O teste será feito na pista de Portimão, em Portugal.
Além de avaliar o desempenho dos candidatos, um fator que pode pesar para a Haas escolher seu piloto titular é quanto cada um trará de parceiros comerciais para o time. Ainda assim, o fato de realizarem o teste mostra que não se importarão apenas com os cofres de dinheiro.
Claramente eles [Haas] estão precisando de dinheiro. Ainda que eles vão fazer esse teste. Fazer teste é caro, então mostra que não vai ser só dinheiro. Vão ver o piloto com melhor pacote, que entra resultado, o que virem no teste, outros dados, e dinheiro também. Julianne Cerasoli
Neste cenário, os três concorrentes possuem apoio financeiro. Piloto da Academia da Ferrari, Rafa Câmara receberá ajuda da escuderia italiana, que confirmou o interesse em vê-lo correndo na F1 . O cenário é o mesmo com Leonardo Fornaroli, atual campeão da Fórmula 2 e piloto reserva da McLaren, que também o ajudará com dinheiro.
Mais experiente, Ryo Hirakawa recebe apoio da Toyota, que firmou parceria com a Haas em 2026 e tem feito pressão por um piloto japonês em um dos carros da equipe.
Esse teste já estava acertado há pelo menos um mês. Eu conversei na Haas no meio de julho e o que ouvia era que o Rafa ia ser reserva da Ferrari, porque a vaga da Ferrari na Haas era do Ollie Bearman. A partir daí, provavelmente houve movimento de patrocinadores do Rafa. A Ferrari estava um pouco fora das negociações em julho, mas eu perguntei para o Fred Vasseur [chefe de equipe da Ferrari] e ele disse que estão muito interessados que o Rafa consiga uma vaga na Fórmula 1.
O Bearman vai fazer o teste e servir como tempo de base. Ele vai fazer um programa, o mesmo que será feito pelo Fornaroli, pelo Rafa e pelo Hirakawa. Muita gente acha que o Hirakawa não está na conversa, mas ele está sim. Se a Toyota chega com 20 milhões de dólares dizendo que quer ele de titular, senão vai tirar o patrocínio, não tem outra solução. Então tem o Rafa com esse apoio da Ferrari que parece ter aumentado nas últimas semanas, e tem o Fornaroli, que é colocado pela maioria como favorito para a vaga.
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