Nota 10 perfeita só confirma: Erin Brooks será campeã mundial um dia
Eu sei, pode parecer precipitado. Erin Brooks tem apenas 19 anos, está em sua segunda temporada no Circuito Mundial e ainda vai passar por muita coisa antes de poder pensar em um título mundial.
Mas existem performances que fazem a gente parar e pensar: essa menina tem algo diferente.
Nesta terça-feira, nas esquerdas perfeitas de Cloudbreak, em Fiji, Erin precisou de praticamente duas ondas para transformar sua estreia na oitava etapa do Circuito Mundial em mais uma demonstração do tamanho do seu talento.
A primeira onda já foi suficiente para mostrar o que viria. Erin encontrou uma parede com tamanho, velocidade e espaço para manobrar de frontside. Foi forte, precisa e agressiva. Um 8,00.
Erin entrou em um dos maiores tubos do dia, ficou profundamente encaixada na parede e atravessou uma sequência de sessões com placas de água desabando à sua frente. Por alguns segundos, parecia que a onda finalmente iria engoli-la.
Não engoliu. Ela saiu limpa e recebeu a nota que, convenhamos, parecia inevitável: 10.
Foi definitivamente a melhor bateria da minha vida. Durante toda a semana, venho falando sobre o quanto amo este lugar e o quanto me sinto conectada à onda e ao local. Estou realmente sem palavras, impressionada e muito grata por ter conseguido aquela onda. Durante todo o tubo, eu ficava pensando: quando ele vai me pegar? Achei que seria atingida pela espuma, e então a onda simplesmente me deixou passar Erin Brooks
Não é a primeira vez que Erin mostra esse nível em ondas pesadas. Há pouco mais de uma semana, ela venceu Teahupo'o, no Taiti, confirmando uma característica que já parecia clara desde antes de chegar à elite.
E talvez seja justamente por isso que a oscilação desta temporada não me preocupe tanto.
Antes da vitória no Taiti, Erin não havia passado da nona colocação nos seis primeiros eventos, com dois 17º lugares. É verdade que estava abaixo do que se esperava dela.
E já venceu em Fiji em 2024, quando ainda era convidada e nem fazia parte do Circuito Mundial. No ano passado, foi eleita a estreante do ano da elite.
É claro que ela ainda vai oscilar. Vai perder baterias, cometer erros e passar por momentos ruins. Faz parte.
E, depois de ver o que Erin Brooks fez em Teahupo'o e agora em Cloudbreak, fica cada vez mais difícil imaginar que um título mundial não esteja no horizonte dessa menina.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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