China e demanda interna explicam recorde no preço da arroba do boi gordo, diz analista do Cepea
Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT A combinação entre a demanda interna aquecida, a expectativa de retomada das compras chinesas e a oferta restrita de animais para abate ajuda a explicar a valorização do boi gordo no Brasil.
Em São Paulo, o Indicador Cepea/Esalq atingiu um novo recorde nominal , fechando a R$ 376,10 por arroba.
Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo : siga o Canal Rural no Google News! Em entrevista ao programa Mercado & Companhia , nesta quinta-feira (8), o analista de bovinocultura de corte do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Tiago Baraio, explicou que, apesar das incertezas envolvendo o mercado chinês, a demanda brasileira continua absorvendo os preços mais elevados da carne bovina.
Segundo ele, o consumo doméstico, responsável pela maior parte da produção nacional, tem sido fundamental para sustentar as cotações, mesmo diante de um cenário econômico desafiador.
A valorização também é observada no atacado.
De acordo com o especialista, os preços da carcaça casada bovina atingiram níveis recordes, acompanhando o movimento de alta do boi gordo.
China começa a negociar compras para 2027 No mercado internacional, a China também influencia as expectativas do setor pecuário brasileiro.
Segundo Baraio, desde o final de setembro os compradores chineses começaram a sinalizar interesse em negociações para garantir o abastecimento no início de 2027, quando haverá a renovação da cota de importação de carne bovina.
Esse movimento ocorre em meio às incertezas provocadas pelas restrições comerciais impostas pela China, que têm afetado o ritmo das exportações brasileiras.
Para o analista, as perspectivas de novas compras chinesas, somadas à demanda doméstica, ajudam a explicar a sustentação dos preços da arroba.
Oferta restrita também pressiona os preços Além da demanda, a disponibilidade limitada de bovinos prontos para abate tem contribuído para as altas recentes.
Baraio explica que a entrada de animais nos confinamentos durante o segundo semestre, especialmente no primeiro giro, e as incertezas do mercado têm influenciado a oferta de gado.
Ao mesmo tempo, muitos pecuaristas estão adiando as vendas na expectativa de conseguir preços ainda melhores.
“Quando a gente tem um cenário de alta, é tradicional no mercado pecuário o pecuarista querer R$ 1, R$ 2 ou R$ 5 a mais”, afirmou.
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