Sakamoto: Lula deixa o 'paz e amor' em casa e surge em modo combate no JN
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Luiz Inácio Lula da Silva deixou o perfil "paz e amor" de lado e apareceu "em modo combate" na entrevista ao Jornal Nacional, avaliou Leonardo Sakamoto, colunista do UOL, no UOL News , do Canal UOL.
O presidente e candidato à reeleição pelo PT falou por cerca de 40 minutos com César Tralli e Renata Vasconcelos, e passou boa parte do início sob perguntas sobre corrupção e temas ligados a familiares e aliados.
Eu achei que o Lula viria mais na defensiva do que efetivamente veio. Ele não veio na defensiva. O "Lulinha paz e amor" ficou em casa. Quem veio foi o "Lula do Velho Testamento". A impressão é que ele não deu a outra face, ele foi para cima e falou: "Se tiver problema, vai para a Polícia Federal investigar". Ele disse: "É para pegar". Ele não ficou nas cordas, não ficou no córner; ele foi para cima. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL
Letícia Casado, colunista do UOL, disse que a entrevista ficou "muito tempo falando sobre corrupção", um tema que ela avaliou como ruim para o PT. Para ela, quanto mais tempo Lula permanece nesse assunto, pior para a campanha.
Me chamou a atenção porque a entrevista ficou muito tempo falando sobre corrupção, que é um tema muito ruim para o PT. Quanto mais tempo o Lula passa falando sobre isso, é ruim para ele. Letícia Casado, colunista do UOL
Já José Roberto de Toledo, colunista do UOL, avaliou que Lula "sobreviveu a uma barragem" de perguntas no começo e, depois, conseguiu mudar o ritmo ao entrar em temas econômicos. Na leitura dele, o presidente saiu da defensiva e passou à ofensiva.
O Lula sobreviveu a uma barragem. Foram seis ou sete perguntas exclusivamente sobre o Fábio Luís [filho do presidente] e o Marcola [ex-chefe de gabinete do mandatário]. O que me surpreendeu foi o que aconteceu em seguida, quando trouxeram a questão da dívida pública. Ele saiu da defensiva e partiu para a ofensiva. Acho que ele ganhou o bloco econômico. José Roberto de Toledo, colunista do UOL
Sakamoto também apontou que, na parte propositiva, Lula "dominou o tempo" e dificultou tentativas de interrupção. Ele disse que a campanha do adversário tentava colar no petista a imagem de fragilidade, mas que a entrevista mostrou o oposto.
Na segunda parte, que é a parte propositiva, Lula dominou o tempo. Você viu os entrevistadores tentando controlar e eles não conseguiam. A campanha do Flávio Bolsonaro estava batendo muito na tecla de que o Lula seria o Joe Biden [ex-presidente dos EUA]. O que a gente viu está muito longe de ser o Biden. É aquele Lula "full pistola". Leonardo Sakamoto, colunista do UOL
Toledo comentou ainda a passagem sobre a fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e disse que Lula tentou sustentar a resposta com números e a narrativa de que o governo ressarciu os aposentados atingidos pelo golpe.
Na questão do INSS, o Lula citou a mesma estatística duas vezes para dizer: "Nós pagamos todos os aposentados que sofreram o golpe e o dinheiro saiu de quem deu o golpe". Ficou razoavelmente claro que, embora uma boa parte do golpe tenha sido cometida durante o governo dele, foi a única administração que investigou.
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