Família unida: as estratégias das ex-primeiras-damas que se lançam candidatas
O maior período de democracia no Brasil — lá se vão quarenta e um anos desde o fim da ditadura militar — não pôs fim a uma antiga distorção no sistema de representação política.
Eleição após eleição, as mulheres, que são decisivas em qualquer disputa por evidentes motivos e por corresponderem a mais da metade do eleitorado — 52,8% —, não chegam a um quinto do Congresso Nacional.
No Senado Federal, elas ocupam somente 15 das 81 cadeiras, e na Câmara são 88 de um total de 513 deputados.
A situação se repete nas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais país afora, onde somam 17%.
Uma lei, em vigor desde 2009, obriga os partidos a reservar pelo menos 30% das candidaturas no Legislativo à ala feminina, mas a letra da norma e a prática do poder seguem apartadas.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral apontam que as chances de um homem se candidatar é duas vezes maior do que a de uma pessoa do gênero oposto.
NOVATA - Marina e JHC, de Alagoas: ela tenta o Senado com as iniciais dele @marina.candia/Instagram No pleito de outubro, um seleto grupo tem chances de se tornar exceção dentro desse cenário.
São as esposas de caciques partidários que concorrerão a vagas do Legislativo, tendo os maridos como principais cabos eleitorais.
Sete mulheres que desempenham o papel de primeira-dama, ou que se encontravam nessa condição até abril, quando os companheiros tiveram de se afastar para também concorrer a cargos eletivos, enfrentarão as urnas pela primeira vez.
Em comum, todas se identificam como conservadoras, articulam discursos de defesa da família e garantem não obedecer a ordem de ninguém.
“Eu venho caminhando ao lado dele há 35 anos, sempre com muito orgulho por ser sua mulher e sua parceira de vida, mas isso não significa não ter voz”, diz Gracinha Caiado, pecuarista e advogada, casada com o presidenciável e ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
Ela cedeu aos apelos do grupo político que comanda o estado para se lançar ao Senado pelo União Brasil.
A desconfiança de não ter vida ou ideias próprias — que, vale destacar, não recai com a mesma virulência sobre homens em situação semelhante, distantes do cotidiano dos parlatórios — é apenas um dos desafios encarados pelas candidatas.
O imaginário em torno das primeiras-damas sempre navegou ao redor do assistencialismo, da benevolência e da caridade.
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