Família acusa polícia de matar jovem por engano em investigação de latrocínio
Na varanda da casa de tijolos à mostra, no Portal Caiobá, o caixão com o corpo de Bruno Rafael Souza da Silva, foi posicionado à esquerda da porta.
Um ventilador de chão e uma placa com trechos bíblicos que tratam de ressurreição foram posicionados perto da cabeça dele, rodeada de flores.
Dentro do imóvel e no quintal, familiares e amigos participavam do velório, revoltados com a morte do rapaz, aos 18 anos, atribuída a confronto com policiais do BPChoque (Batalhão da Polícia Militar de Choque).
Na geladeira da casa, ainda tem a marmita que Bruno deixou pronta para o trabalho, em uma empresa prestadora de serviço de limpeza.
Também há outras marcas que evidenciam o que aconteceu na madrugada de segunda-feira (19).
Marcas de sangue no sofá, na parede, no cobertor do filho de 4 meses, além de buraco de tiro na parede.
Familiares confeccionaram camisetas em homenagem ao jovem, inclusive uma para o bebê.
O pai, Valdir Souza da Silva, de 56 anos, e a namorada contestam a versão policial de que Bruno teria reagido à abordagem.
Segundo os dois, ele estava dormindo quando os agentes entraram na residência e não tinha uma arma.
No quarto onde o jovem dormia, a família mostrou uma marca de tiro na janela.
O colchão, que ficou ensanguentado, foi descartado.
Ainda havia vestígios de sangue no cobertor do bebê, estampado com o personagem Homem-Aranha, no sofá ao lado da cama e na parede próxima à marca de disparo.
Bruno foi baleado durante as diligências relacionadas à investigação do latrocínio de Gian Marcelo Samaniego Ramão, de 27 anos, assassinado na noite de sexta-feira (16), no Bairro Parque do Lageado.
A namorada de Bruno, que pediu para não ser identificada por afirmar que está recebendo ameaças de morte, relatou que ouviu a movimentação policial por volta das 4h, quando o bebê chorava e ela alertou o companheiro sobre a chegada dos agentes.
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