Cinco anos depois da quebra da Evergrande, por que a crise imobiliária da China ainda não acabou
A prisão perpétua de Hui Ka Yan, fundador da Evergrande, encerra um dos capítulos mais dramáticos da crise imobiliária chinesa, mas está longe de resolver o problema que ajudou a transformar a economia do país.
A Evergrande entrou em colapso em 2021 depois de acumular mais de US$ 300 bilhões em passivos.
A empresa acabou sendo liquidada, e Hui foi condenado nesta quinta-feira, 20, por crimes financeiros.
Mas o setor imobiliário chinês continua enfrentando uma combinação difícil de resolver: imóveis demais, compradores de menos e incorporadoras com pouco dinheiro para concluir projetos e pagar dívidas.
O tamanho do problema aparece nos dados mais recentes.
Em julho, o preço dos imóveis residenciais novos na China caiu 3,2% em relação ao mesmo mês de 2025.
Na comparação mensal, houve queda de 0,1%.
Das 70 cidades acompanhadas pelas estatísticas oficiais, apenas 17 registraram aumento de preços em julho.
Continua após a publicidade Isso ajuda a explicar por que a crise da Evergrande continua sendo relevante mesmo depois que a empresa deixou de existir como um negócio normal.
O problema é maior que a Evergrande Para entender a crise, é preciso voltar alguns anos.
Durante décadas, o mercado imobiliário foi um dos principais motores da economia chinesa.
Famílias compravam apartamentos como forma de moradia e também de investimento.
Incorporadoras construíam em ritmo acelerado, muitas vezes usando o dinheiro recebido antecipadamente dos compradores para financiar novos projetos.
Continua após a publicidade Esse modelo funcionou enquanto os preços dos imóveis subiam e as vendas continuavam fortes.
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