O novo escândalo de escala milionária que abala o governo Javier Milei
A promessa de “déficit zero” e de asfixia às velhas práticas políticas feitas pelo governo de extrema direita de Javier Milei na Argentina enfrenta agora seu teste mais difícil.
Uma série de investigações jornalísticas e denúncias judiciais aponta que o governo federal argentino reteve e desviou recursos milionários que, por lei, deveriam ser destinados exclusivamente à infraestrutura rodoviária, hídrica e de transportes.
Em vez de asfalto nas estradas, o dinheiro dos contribuintes foi parar em aplicações financeiras e, sob forte suspeita de fisiologismo, em transferências políticas estratégicas às vésperas de votações cruciais no Congresso.
Como funciona o esquema Para o cidadão argentino comum, o escândalo começa na bomba de combustível.
Cada vez que um motorista para em um posto de gasolina para abastecer seu veículo, ele paga impostos sobre os combustíveis que, por força de lei, têm destinação obrigatória para a construção e manutenção da infraestrutura do país.
No entanto, um levantamento detalhado publicado pelo jornal argentino La Nación revela um abismo gigantesco entre o que é arrecadado e o que é efetivamente investido.
Desde que Milei assumiu a presidência no final de 2023 até meados deste ano, o imposto sobre combustíveis rendeu aos cofres públicos a marca de 1,5 trilhão de pesos (cerca de US$ 1 bilhão).
Desse montante, apenas 25% foi repassado para obras rodoviárias.
Onde foi parar o restante? A investigação do La Nación revela que quase US$ 668 milhões (o equivalente ao saldo não utilizado) foram direcionados para investimentos financeiros, como depósitos a prazo fixo e compra de títulos do governo.
Continua após a publicidade A justificativa oficial veio do próprio porta-voz da Presidência, Adrián Ravier , que admitiu à imprensa provincial que parte da verba do Fundo do Sistema Rodoviário Integrado (SisVial) foi usada “para alcançar o equilíbrio fiscal”, um dos principais pilares econômicos da gestão de Milei.
Ravier buscou defender a medida alegando que “as rodovias nacionais não devem ser construídas com dinheiro do contribuinte, mas com investimento privado”.
Ele também atacou gestões passadas, alegando que o dinheiro repassado anteriormente para a Diretoria Nacional de Rodovias também “não chegava às estradas”.
Para implementar o novo modelo, o Executivo já colocou 9 mil dos 40 mil quilômetros de rodovias do país sob regime de licitação.
Estradas em ruínas e revolta popular Enquanto o governo utiliza os recursos para inflar seus balanços financeiros e buscar o superávit, o impacto real é sentido diariamente por quem trafega pelas rodovias argentinas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.