Uma lula transparente guarda amônia dentro do corpo como um balão químico e usa a solução para flutuar sem gastar tanta energia no oceano profundo
Lulas-de-vidro usam solução rica em amônio para ganhar flutuabilidade e combinam transparência, olhos grandes e pigmentos móveis para se camuflar
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No oceano profundo, a chamada lula-de-vidro resolve um problema central da vida em mar aberto: como permanecer suspensa sem desperdiçar energia. Em espécies da família Cranchiidae, que inclui a cockatoo squid associada a Galiteuthis phyllura , uma grande cavidade interna pode armazenar soluções ricas em amônio, menos densas que a água do mar. Transparência, olhos grandes e pontos de pigmento que se abrem ou fecham completam um conjunto de adaptações para um ambiente escuro, aberto e sem abrigo.
As lulas-de-vidro vivem principalmente na coluna d’água, sobretudo na zona crepuscular, onde esconder-se atrás de rochas ou no fundo não é uma opção. Por isso, a transparência funciona como uma espécie de capa de invisibilidade, reduzindo o contraste do corpo contra a água ao redor e dificultando a detecção por predadores e presas.
Essa invisibilidade não é absoluta. Como outros cefalópodes, elas possuem cromatóforos, pequenas células pigmentadas que podem permanecer fechadas para manter o corpo quase transparente ou se expandir quando o animal precisa escurecer sua aparência. Em muitas espécies, partes opacas como os olhos também recebem ajuda de órgãos luminosos que mascaram a silhueta vista de baixo.
A grande inovação dessas lulas está numa cavidade interna preenchida com solução rica em amônio. Como esse fluido é menos denso que a água do mar, ele aumenta a flutuabilidade do animal e reduz a necessidade de bater nadadeiras ou usar jatos constantes para não afundar.
Isso economiza energia em um habitat onde alimento pode ser irregular. Em vez de nadar o tempo todo como lulas costeiras muito ativas, muitas lulas-de-vidro se deslocam mais lentamente e usam as nadadeiras para manobras finas, deixando que a química do próprio corpo faça parte do trabalho de sustentação.
Mesmo com pouca luz disponível, enxergar continua sendo decisivo. Os olhos grandes ajudam a captar o fraco brilho que desce da superfície e aumentam a chance de detectar movimentos, sombras e sinais bioluminescentes no entorno. Em juvenis, eles podem parecer ainda mais desproporcionais.
Mas olhos grandes também representam um problema, porque são estruturas opacas em um corpo transparente. Por isso, várias lulas-de-vidro possuem fotóforos próximos aos olhos, capazes de emitir luz e suavizar a sombra dessas regiões. O resultado é uma camuflagem mais eficiente em águas abertas, onde qualquer contraste chama atenção.
O estilo de vida no oceano profundo favorece economia, não velocidade contínua. Segundo a MBARI, as lulas-de-vidro têm um corpo mais flutuante e, por isso, não precisam “nadar tão forte” para permanecer na água. Isso combina com um ambiente de baixa temperatura, pouca comida e longas distâncias entre encontros com predadores ou presas.
Essa lentidão não significa fragilidade absoluta. Quando ameaçadas, algumas podem escurecer o corpo, liberar tinta ou até encher a cavidade com tinta para alterar a aparência.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.