Mercado olha juro longo, estrangeiro e compromisso fiscal para seguir voo
Largando a semana em recorde, a Bolsa consolidou alta de mais de 8% no período, representando o melhor desempenho do Ibovespa desde março de 2020.
Mesmo tendo andado de lado entre terça (6) e quinta-feira (8), os ganhos de 7,7% na segunda (5) e de 1,38% na sexta-feira (9) mantiveram o mercado no verde.
Ultimamente, os investidores andam monotemáticos.
Nem dados de inflação acima do esperado na sexta tiraram o foco do otimismo com as eleições.
“Nesse momento, a nossa Bolsa está sim colada, indexada, totalmente atrelada ao trade eleitoral”, observa Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do Grupo Axia Investing.
“Quando a gente olha lá pra fora – dólar, petróleo, guerras -, quando a gente olha os nossos próprios indicadores – inflação, emprego, rombo fiscal, contas públicas -, não há motivos para uma mudança estrutural que levasse a nossa Bovespa para a máxima histórica e hoje repetidamente mais uma máxima histórica”, conclui.
Leia Mais Veja quanto a gasolina deve ficar mais barata após intervenção do governo O Brasil ficou 7,7% melhor de domingo para segunda? Análise: Juros menores em 2027 exigem mais que otimismo com eleição Os agentes econômicos esperam de um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL) reformas econômicas pró-mercado, sobretudo no que tange um ajuste das contas públicas.
“O principal fator foi a reprecificação do risco político após o primeiro turno.
O mercado passou a atribuir maior peso a um cenário de mudança na condução da política fiscal, com expectativa de controle dos gastos públicos e redução dos juros”, aponta Sidney Lima, analista da Ouro Preto investimentos.
Mas ele ressalta que não foi apenas a política que trouxe esse desempenho: a redução de incerteza no ambiente brasileiro trouxe também capital estrangeiro para a Bolsa, além de permitir a recomposição de posições e queda dos juros futuros.
A virada de ânimo foi tanta que bancos internacionais de investimento começaram a revisar suas estratégias dando maior destaque para o Brasil em suas carteiras .
O Morgan Stanley vê, inclusive, o Ibovespa renovando recordes até os 250 mil pontos .
Mas para chegar lá, o mercado terá de se manter fiel à tese que está construindo com um adendo: a expectativa tem de se tornar realidade.
“Existe fundamento financeiro, mas ainda falta comprovação econômica.
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