Especialista vê risco de “fragmentação” da oposição após fuga de Flávio
O governo brasileiro busca dimensionar a participação dos governos da Argentina e dos Estados Unidos na saída de Flávio Bolsonaro (PL) do país, ocorrida poucos dias após sua derrota no 2º turno das eleições presidenciais.
O episódio gerou repercussões tanto no cenário político interno quanto nas relações internacionais do Brasil.
Em entrevista ao CNN Novo Dia desta quinta-feira (29), o cientista político Maurício Santoro avaliou que a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil representa uma transformação profunda e acelerada no campo oposicionista.
“Nos últimos 10 anos, a família Bolsonaro foi, sem sombra de dúvida, a liderança no campo conservador brasileiro e a oposição ao governo Lula nesse terceiro mandato”, disse Santoro.
Ninguém aprovou carta de Flávio e Bolsonaro não sabia de fuga, diz Valdemar Flávio e família receberam autorização para permanecer nos EUA por um ano PF avalia pedir bloqueio de bens de Flávio Bolsonaro após fuga No entanto, ele ressaltou que a família se encontra hoje muito dividida geograficamente e em termos de condições políticas, com Jair Bolsonaro em prisão domiciliar e dois dos filhos nos Estados Unidos, além de Carlos e Michelle Bolsonaro no Senado.
“Não está claro ainda como essa coordenação vai acontecer entre os diversos integrantes da família, ou mesmo se haverá algum tipo de coordenação ou entendimento.
O que pode acontecer simplesmente é uma grande fragmentação desse discurso”, afirmou Santoro.
Santoro também criticou duramente a carta publicada por Flávio Bolsonaro.
Ele descreveu o conteúdo como “absolutamente desastroso”, que está afastando aliados e criando um vazio político que, na avaliação dele, será preenchido pelo governador Tarcísio de Freitas .
“É alguém que está no Brasil, ocupando um cargo importante, à frente do estado mais populoso e mais rico, e que tem se posicionado de maneira bastante moderada, respeitando a constituição e as regras democráticas”, declarou.
Participação da Argentina no plano Santoro destacou também que a situação tem impactos negativos, não apenas para a imagem de Flávio Bolsonaro, mas também para a de Javier Milei, presidente da Argentina.
“A gente ainda não tem informações muito precisas sobre qual foi a participação do governo argentino nessa fuga, ou mesmo se houve algum envolvimento direto das autoridades argentinas, mas ter esse tipo de ingerência na política doméstica brasileira é algo muito grave” , afirmou Santoro.
Santoro destacou a relevância estratégica da Argentina para o Brasil ao analisar as possíveis consequências diplomáticas do episódio.
“A Argentina é o nosso terceiro maior parceiro comercial, só fica atrás da China e dos Estados Unidos, e é o maior destino das exportações industriais brasileiras, além de um parceiro importante no Mercosul”, explicou o especialista.
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