Faixa Azul em SP: entenda a polêmica que opõe prefeitura de Ricardo Nunes e governo Lula
A Faixa Azul, programa piloto que cria faixas exclusivas para motociclistas em vias de São Paulo, está no centro de um impasse entre a prefeitura de Ricardo Nunes (MDB) e o Ministério dos Transportes, do governo Lula.
Um relatório técnico da SPTrans, órgão municipal de trânsito, enviado à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), aponta aumento de mortes e acidentes nas vias onde a faixa foi instalada, contrariando a narrativa da gestão municipal, que pede autorização para ampliar o programa para cerca de 30 novas ruas e avenidas.
O que é a Faixa Azul e qual a polêmica A Faixa Azul é um programa piloto que demarca, por meio de sinalização horizontal, um espaço exclusivo para motocicletas em vias urbanas de São Paulo.
O objetivo declarado é organizar o fluxo e aumentar a segurança dos motociclistas.
Por se tratar de uma iniciativa experimental, sem previsão na legislação nacional de trânsito, qualquer expansão do programa depende de autorização do Ministério dos Transportes, que avalia a efetividade e os impactos da medida antes de permitir novos trechos.
A polêmica vem desde 2024.
A gestão Nunes quer ampliar a Faixa Azul para cerca de 30 novas ruas e avenidas da cidade, mas a autorização federal não veio.
O governo federal, por meio da Senatran, analisa os dados do período de testes antes de decidir se o programa segue em caráter experimental ou avança para regulamentação definitiva.
Os dados de segurança e a divergência de interpretação Ao final de dois anos de testes, a SPTrans produziu um relatório técnico enviado à Senatran.
Os números não favorecem a narrativa da prefeitura: as vias com Faixa Azul registraram 57 mortes antes da instalação e 68 depois , um aumento de 19,2% até 31 de dezembro de 2025.
Os sinistros fatais envolvendo motociclistas cresceram 17,5%.
Para pedestres, o quadro é ainda mais grave: as mortes nas vias com Faixa Azul aumentaram 150% no período analisado.
A gestão Nunes, diante desses números, sustenta que a Faixa Azul é segura porque a maioria dos acidentes ocorre “fora” da faixa exclusiva.
O problema está na metodologia: os registros classificam os acidentes como “dentro”, “fora” ou “sem informação”, e a prefeitura, ao produzir seus gráficos, soma os casos “fora” e “sem informação” como se fossem todos “fora”.
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