Vasco pode ter falência pedida se empréstimo de Lamacchia não for aprovado
A não liberação do empréstimo de R$ 150 milhões negociado pelo Vasco com a Almirante Participações pode levar credores a questionarem a recuperação judicial e até mesmo pedirem a falência do clube. A avaliação é de Henrique Fragoso, advogado que representa 53 credores trabalhistas no processo. A Almirante Participações pertence a Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
O risco de falência ainda é considerado prematuro, mas pode aumentar caso a falta do dinheiro provoque atrasos em salários, pagamentos a credores ou outras obrigações previstas no plano de recuperação.
Para Fragoso, o descumprimento poderia levar credores a questionar a continuidade do processo.
O descumprimento das obrigações fará com que muitas pessoas questionem o andamento da recuperação judicial. Haverá pessoas pedindo a falência. É prematuro chegar a esse ponto agora, mas haverá um desgaste processual grande Henrique Fragoso, ao UOL
Especialista em recuperação judicial e integrante do processo no Cruzeiro, o advogado Daniel Villas Boas também considera possível que credores peçam a falência caso o Vasco deixe de cumprir os pagamentos. O pedido, porém, não levaria à quebra imediata do clube. O Vasco teria direito de se defender, e a Justiça precisaria analisar os pedidos antes de qualquer decisão.
Villas Boas afirma ainda que a aplicação da Lei da SAF a clubes de futebol é recente e que o Brasil não tem um histórico consolidado de falências decretadas contra clubes.
Os pedidos serão processados, o Vasco vai se defender e apresentar as teses jurídicas que considerar cabíveis. Não há um cenário de falência no dia seguinte a um requerimento. Isso será objeto de discussão judicial Daniel Villas Boas, ao UOL
O Vasco tem dinheiro em caixa para cumprir suas obrigações somente até 31 de agosto. A partir de setembro, o clube dependeria da entrada de novos recursos para manter os pagamentos.
Fragoso, que também representa o Sindicato dos Empregados em Clubes, Federações e Confederações Esportivas e Atletas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (Sindeclubes), estuda apresentar uma medida para tentar acelerar a liberação do dinheiro. O advogado vê risco tanto para a recuperação judicial quanto para o funcionamento financeiro do dia a dia.
Estou pensando em apresentar uma medida para mostrar a urgência, não só para garantir a recuperação judicial, mas também os salários dos funcionários. Quero ajudar a manter os pagamentos. Não adianta matar a galinha dos ovos de ouro Fragoso, ao UOL
O plano de recuperação prevê a contratação de um financiamento DIP, modalidade criada para permitir que empresas em recuperação recebam dinheiro novo. O mecanismo oferece garantias e prioridade de pagamento em caso de uma eventual falência.
Fragoso afirma que os próprios credores reconheceram a necessidade do financiamento para manter o Vasco em funcionamento. O empréstimo, segundo ele, foi aprovado na assembleia justamente diante da situação financeira do clube.
O DIP foi aprovado na assembleia porque já se entendia a asfixia financeira. A juíza não deixou de autorizar definitivamente, mas pediu ao Vasco que explicasse por que precisa de outro empréstimo.
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