Campo Grande tem identidade e ela é multicultural, defende professor
Victor Hugo Xavier Flandoli, de 36 anos, decidiu sair da sala de aula para ampliar a divulgação de informações sobre a história de Campo Grande (MS) e de Mato Grosso do Sul.
Como professor, levou alunos aos museus da cidade e percebeu que a história viva é o que, de fato, captura a atenção dos adolescentes.
Em uma nova investida, no começo do ano, Victor passou a gravar vídeos curtos para as redes sociais e constatou que contar o passado com linguagem simples, dinâmica e fatos curiosos chama a atenção e provoca interação.
Em poucos meses, o número de seguidores saltou de 2 mil para 10 mil.
O podcast Na Íntegra , do Campo Grande News , convidou Victor para falar sobre sua experiência ao abordar a história da cidade e de Mato Grosso do Sul fora do rigor da sala de aula.
E ele é veemente em um tema oportuno quando a Capital completa 127 anos: Campo Grande tem, sim, identidade, e ela é justamente fruto da mistura dos povos que chegaram a esse grande campo em pleno cerrado brasileiro.
Justamente a sobreposição de culturas forma a cultura local, que forma quem é o campo-grandense, que forma quem é Campo Grande.” Victor conta que, em sala de aula, percebe maior interesse dos alunos por temas grandiosos, como a Segunda Guerra Mundial e o Império Romano.
Para despertar a atenção sobre a história local, além das visitas a museus, ele recorreu a músicas cantadas por Almir Sater e até a fotografias que revelam uma cidade de outros tempos, como a antiga estação ferroviária e a Rua 14 de Julho antes mesmo de ser pavimentada.
O reconhecimento do poder da cultura está no sangue do professor de história.
Victor é neto da nordestina Izulina Xavier, artista que se estabeleceu em Corumbá e deixou marcas na cidade.
Foi ela quem esculpiu o Cristo Rei e as estátuas da Via Sacra no Morro do Cruzeiro, hoje marcos locais.
Campo Grande passa por um momento de valorização de sua história.
Tem o reconhecimento do sobá como patrimônio imaterial, tem, neste ano, Tia Eva reconhecida como comunidade quilombola tombada do país, tem a valorização de comer uma esfirra no centro.
Existe uma série de elementos de patrimônios culturais que estão sendo relidos e repensados.” No momento em que se celebram os 127 anos de emancipação da cidade, surgida a partir de um povoamento associado ao mineiro José Antônio Pereira, que chegou à região acompanhado de familiares e conhecidos, Victor lembra que muita gente já circulava por ali em tempos bem mais remotos.
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